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A Grande Farsa

Ausentei-me do país logo após a pantomima burlesca que chamam de ‘eleição presidencial’ por isto talvez este artigo esteja um pouco atrasado. Não obstante, em minha viagem ao Uruguai e à Argentina colhi alguns dados que o tornam atual.
Desde o início da campanha eleitoral denunciei que tudo não passava de mais uma marmelada cujo resultado estava resolvido a priori pois não houve, em nenhum momento, candidato de oposição. Até o fim defendi que Geraldo Alckmin não tinha a mínima pretensão de ganhar as eleições devido a acordos firmados desde 1993 entre FHC e Lula em Princeton – leia-se entre o
Diálogo Interamericano e o Foro de São Paulo - tal como denunciado pelo Dr. Graça Wagner em artigo aqui publicado, acordo renovado em 2006 em almoço no Waldorf Astoria. Perdi no mínimo um amigo e agastei-me com vários outros que acreditavam na dignidade de propósitos do Sr. Alckmin. Minha defesa intransigente da existência dos referidos acordos foi tida como rigidez e incapacidade de perceber que Alckmin havia desafiado os caciques do PSDB para se tornar candidato. Balela pura e simples, pois Alckmin foi o escolhido pelos referidos caciques para perder as eleições e sabia disto e o fez conscientemente.
Pediram-me provas e eu disse: assistam aos debates. Todos não passaram de espetáculos bem ensaiados entre um candidato que não saberia responder a nenhuma questão difícil e um almofadinha atônito que não as fez por isto mesmo. Vejo, consternado que, mesmo após a pantomima concretizada, continuam as perguntas: por que Alckmin não falou do Foro de São Paulo e da subordinação de Lula a Chávez, que levou à derrota de Ollanta Humala no Peru e Lopez Obrador no México, ao segundo turno no Equador e à vitória expressiva de Álvaro Uribe na Colômbia? Por que Alckmin não perguntou sobre o aborto, que arrasou Kerry em 2004? Por que Alckmin não defendeu os aspectos positivos da privataria tucana, principalmente o enorme sucesso internacional da Vale do Rio Doce privatizada, quando antes não passava de cabide de empregos – como continuam a ser a Petrossauro, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e outras falcatruas estatais? E o número de pessoas que hoje têm telefones fixos e celulares? Por que Alckmin não perguntou sobre... e sobre... e sobre...? E quanto mais queira! Só há uma reposta já antevista por quem quisesse e pudesse enxergar: porque Alckmin é um covarde. Sabia de tudo sobre tudo isto, mas não estava no script gerado pela farsa do mais farsante de todos os partidos da história do Brasil: o PSDB, comandado pelo farsante-mor, Fernando Henrique Cardoso que nada mais é do que representante dos interesses do Diálogo Interamericano e, indiretamente, do
Council on Foreign Relations.
Até hoje não entendi muito bem porque os liberais e conservadores brasileiros tentaram desvincular Alckmin do partido a que pertence. Possivelmente wishful thinking, esquecendo a velha afirmação diz-me com quem andas... . Procuravam ressaltar a figura impoluta – que não discuto quanto à sua vida pessoal – como se fosse uma senhora de alta moralidade vivendo num prostíbulo sem nem saber do que fazem suas coleguinhas. Repeteco de Lula: mais um que não sabe de nada, tadinho. Alguns defenderam a tese – na qual não acredito – que Alckmin era independente e por isto foi agressivo com Lula no primeiro debate e, por isto, recebeu um cala-a-boca do partido. Se fosse verdade, qual seria a atitude digna de um homem que honra as calças que usa? Não seria renunciar à candidatura em pleno segundo turno, denunciando a farsa eleitoral a que estavam submetendo o povo brasileiro? Seria um enorme serviço ao Brasil e ao processo eleitoral. Ao ser verdadeira esta tese e ter calado a boca confirma que não passa de mais um farsante.
A burla eleitoral foi apenas o capítulo final da campanha pela reeleição de Lula levada a efeito pelo PSDB desde que este partido recusou-se – e o PFL covardemente aceitou – a pedir o impeachment quando do destampatório de Roberto Jefferson. Tardiamente, Alckmin limitou suas críticas à corrupção – quando o povo já estava farto do assunto e nada mais colava no Presidente ‘traído’ pelos seus pares – e no pífio crescimento do Brasil, como se o povo estivesse minimamente interessado no PIB do Haiti. Seu programa de governo limitou-se a ameaçar ‘vender o Aerolula’, uma idiotice, pois trata-se de um avião que não pertence ao Lula mas à Presidência da República, cuja compra foi absolutamente necessária. Neste particular mentiu descaradamente ou foi enganado pelos seus assessores, ao dizer que o Primeiro Ministro inglês e o Presidente francês não possuem avião destinado à sua locomoção. A presidência da França possui não um, mas dois: um igual ao brasileiro, um Airbus A319 e o outro maior ainda, um A310 (já retirado do mercado e substituído pelo A330). Já Tony Blair tem uma frota de aviões British Aerospace BAE146 à sua disposição no Squadron 32, exclusivo para transporte VIP. Isto sem falar que o destemido Alckmin se ‘esqueceu’ que no regime presidencialista o Presidente é ao mesmo tempo Chefe de Estado e Chefe de Governo, senão teria se informado de que a rainha da Inglaterra tem à sua disposição, a qualquer hora, além do Squadron 32, todas as aeronaves da British Airways recondicionadas para os padrões de luxo a que os aristocratas se acham merecedores, tudo às custas dos idiotas commons, além do salário de mais de £ 1,000.000 que recebe a família real. Acrescente-se a estes os Boeing 757 dos Presidentes do México e da Argentina e muitos outros. É só consultar o site
http://www.airliners.net/.
Em conversa com amigos em Buenos Aires, discutíamos as ‘elites’ políticas argentina, brasileira e uruguaia e mostraram-me a diferença radical entre a última e as nossas. Na Argentina, como no Brasil, só temos farsa. Raúl Alfonsín e sua Unión Cívica Radical (UCR) equivale aos nossos PSDB e PFL, partidos puramente oportunistas. Já no Uruguai, a classe política é bem mais preparada e séria. Estive em Montevidéu durante a Cumbre Ibero-Americana e vi a atuação destacada dos mais ilustres líderes oposicionistas: os Ex-presidentes Luis Alberto Lacalle e Julio Maria Sanguinetti – respectivamente do Partido Blanco, liberal, e Colorado, Social Democrata. Ambos tiveram papel tão destacado que apareciam mais na televisão do que o Presidente atual, Tabaré Vázquez.
A população uruguaia está nitidamente dividida e nota-se nas ruas e nos jornais o debate sério entre posições políticas claras e insofismáveis. O eleitorado conhece seus próceres e Vázquez não consegue governar sem compor com a oposição.
O mesmo motivo que atrasou a chegada de Lacalle ao Seminário sobre Democracia Liberal por mim organizado em maio deste ano, leva-o ao Palácio Presidencial freqüentemente. Naquela ocasião, decidia-se a política a ser adotada com relação às Forças Armadas; hoje se discute os rumos da política uruguaia como um todo. Inclusive no ‘Dia de la Armada’, quando os comunistas tupamaros gostariam de promover agitações contra os militares, lá estava a presença indômita de Lacalle como convidado especial.
Embora Tabaré Vázquez esteja incluído no acordo do Foro de São Paulo, ele conta com uma oposição séria sem a qual não governará o País, diferentemente de Lula e Kirchner que têm apenas falsos oposicionistas como Serra, FHC e Alckmin, por aqui, e Afonsín por lá.
E já se vê por aí os farsantes para 2010: Aécio Neves e o burlesco ex-comunista, ex-direitista, ex ou futuro qualquer coisa que lhe sirva na ocasião, César Maia, o pior Prefeito do Rio desde Saturnino Braga, que faliu a Prefeitura.

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Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)