sábado, julho 08, 2006

God save the State


Coloquei meu conceito final a prêmio na disciplina de Macroeconomia ao promover uma dissecação de um cadáver que está mais vivo do que nunca, inclusive com influências desencadeadas que talvez nem mesmo ele próprio esperasse. Explico-me: inicialmente, como tarefa valendo nota, eu teria que ficar horas e mais horas em frente ao pc “graficando” e analisando os valores reais do PIB nacional a partir de 1958, comparando com taxas de desemprego anuais, preços do barril do petróleo, número de automóveis exportados e uma série de outras variáveis, à escolha do caminante. Econometria pura. Falta-me paciência para tanto. Já que a cadeira é eletiva e um pouco de livre arbítrio não cairia mal, propus ao professor fazer meu trabalho sobre um Lorde, o John Maynard Keynes, simplesmente “o maior economista do século XX”, afirmativa que não ouso contrariar, se considerarmos como maior em fama, falta de apego à verdade e, é claro, em influenciar inocentes úteis, inúteis e culposos vigaristas. Armada com o Tempos Modernos, do ótimo Paul Johnson, manuais de economia cujas autorias desconheço e artigos, lá me fui escrever sobre o tal nobre britânico.
Na verdade, toda a teoria keynesiana poderia ser resumida em tentativa sem erro de imprimir fundo a idéia que o indivíduo é fraco e incompetente, necessitado de um governo de "iluminados" que o defenda e o sustente, sem o qual estará condenado à ruína, no que decorre a aplicação de um Estado paternal onissapiente, onipresente e onipotente para regrar com justiça as interações entre os cidadãos. Pois é, sei que, lendo assim, o empreendimento não soa original e remete imediatamente à figura do “maior economista do século XIX”, o velhote barbudão, esse mesmo que você acabou de lembrar. Será então que podemos atribuir a Lorde Keynes a alcunha de plagiador? Ao menos seguramente, trata-se de um gari reciclador.
Então, com ou sem andamento de estudos mais aprofundados sobre o pai da macroeconomia e seus teoremas, é possível vislumbrar toda a linha seguinte de fatos: a partir da necessidade desse Estado todo-poderoso, surge um governo cada vez maior, com mais e mais leis, funcionários e, portanto, mais impostos e taxas sobre quem produz. Subentendendo que os dirigentes serão sempre sábios, competentes, honestos e bondosos, agindo apenas em benefício popular, decorre crescente supressão das liberdades democráticas e conseqüente abuso de poder pela nomenklatura. Assim, está implantada e fortalecida a mentira de que os bens e a riqueza são finitos e estanques, tais que, se o João possuir, o Zé fica a ver navios, ou, pior, que a produção não existe, salvo para os ricos, insinuando que quem tem, roubou de quem não tem, o que não apenas estimula mas ainda legitima inveja e ressentimento generalizados, substrato emocional que fatalmente gera ações desagregadoras e destrutivas para o indivíduo e seu entorno e acentua o sentimento de derrotismo entre os mais pobres, de culpa entre os mais ricos, dando origem à "luta de classes", que não existiria sem esse tortuoso percurso. Assim, favorece e multiplica a quantidade de "excluidos profissionais", o típico vagabundo comodista comum em grupos como MST, que vive às custas de quem produz, através das políticas de mais justa distribuição de rendas, desestimulando a saudável competição por bens e serviços, geradora dos esforços para o desenvolvimento das capacidades individuais e crescimento continuado e necessário da consciência humana em geral.
Se levarmos o exame um tanto mais ao fundo das ocorrências mundiais, perceberemos que a crença nos conceitos socialistas sobrevive mesmo em face dos constantes fracassos em sua aplicação, fracassos esses “explicados” como frutos da natureza viciosa das pessoas, natureza essa produzida pelos "valores burgueses e criminosos da civilização judaico-cristã" ocidental. Portanto, é tarefa sagrada dos agentes de um mundo melhor destruir e extirpar tais valores, substituindo-os pelo vazio socialista, prática livre e sistematicamente feita em todo o Ocidente.
Afinal, que arrogante presunção é essa de colocar-se acima das leis? Como podem deter o conhecimento necessário para reconstruir a história e até mesmo a humanidade, se todas suas teorizações frutificaram em horror totalitário? Por fim, que misteriosa transfiguração é essa na alma de “estudiosos” que acabam por fechar os olhos e renegar a própria natureza humana? Uma certeza carrego: os frutos sempre têm a natureza das sementes que os geram.
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Como sugestão de leitura, que pode jogar um pouco de luz às indagações acima, indico um texto de autoria da amiga Norma Braga, do Flor de Obsessão, sobre as ligações perigosas de Lorde Marx.

noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)