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Suspeita(s) a ser(em) confirmadas


Desde o duelo Rolling Stones versus U2 ocorrido início do ano, percebi uma nova habilidade em mim: descobrir conservadores insuspeitos. Sem precipitações, antes de eu revelar a bola da vez, comecemos do princípio.
Ainda não assisti o “filme do ano”, esse que me fará acreditar que um certo Leonardo, de inegável brilhantismo, tinha mais conhecimento (anti)religioso do que os evangelistas, ainda que o primeiro tenha sucedido os próprios apóstolos de Jesus Cristo em uns 1500 aninhos. Detalhe, mísero detalhe. Na verdade, estou à espera nada ansiosa por alguém que me pague o ingresso, pois cansei de desperdiçar meu vil metal em uma forma de arte jamais considerada elevada por alguém digno de nota, e que me abandonou antes que eu o fizesse - ou tivesse essa escolha -, vide Brokeback Mountain e afins. Ok, assumo que fico com os cabelos arrepiados mesmo é ao lembrar de V de Vingança, tanto que nem o novo Missão Impossível, de bom início, agitado e eficiente desenvolvimento e final chocho, como se não bastasse anti-americano, conseguiu aplacar a terrível memória. Sendo assim, enquanto as propostas de cineminha grátis não surgem, teorizo e especulo um pouco.
Hollywood é descaradamente paraíso da esquerda festiva, a vanguarda politicamente correta, e a única fonte de amostras do comportamento yankee a ser discutida em países terceiro-mundistas e com síndrome de vítimas, por não conseguirem erguer os queixos além do próprio umbigo, como é o nosso. Acontece que é mais fácil encontrar atrizes que não tenham enfrentado o bisturi e/ou agulhadas de botox do que conservadores na meca da sétima (cada vez menor) arte. Tanto é assim, que o nome da trupe mais festejado da atualidade, George Clooney, por exemplo, dirigiu Boa Noite, e Boa Sorte para enganar a torcida, ou seja, receber uns prêmios dos companheiros, umas capas de revista para posar como the coolest ever e rios de dinheiro, para continuar comprando vilas à beira de lagos, na Itália, e abrir cassinos luxuosos. Em troca, ele dá tapas de luva, só que em P&B, com estilo, na suposta lavagem cerebral e perseguição não-declarada... conservadora! Bush e seus comensais da morte, em linguagem harrypotteriana, devem até perder o sono com essas acusações tão legítimas.
Até onde eu saiba, há meia dúzia de conservadores declarados por Hollywood. A outra meia dúzia esconde-se sabe lá onde. Quem, eventualmente, tenha um insight, teme pelo seu futuro na indústria. Lembro de quando Tom Cruise se pronunciou a favor da guerra no Iraque e deixou claro seu temor de ser desprezado pelos seus pares. A essas alturas, deve já ter revisto essa posição, digamos, fascista.
Voltando ao tal códido do Leonardo. Durante esse pouco mais de um ano de blog, dei algumas pinceladas sobre o que penso desse best-seller da ficção científica e acredito que todos que passam por aqui imaginam minha visão. Inicialmente, as previsões apontavam para um filme a ser visto por cerca de 800 milhões de pessoas, o que não duvido. Ou melhor, não duvidava, afinal, como subestimar a imbecilidade humana, em tempos que verdades universais são revistas por um romancista? Daí então entra o X da questão: ou os produtores e o diretor acomodaram-se com os mais de 40 milhões de exemplares vendidos pelo mundo e imaginaram que os cofres ficariam abarrotados e as aclamações garantidas de antemão, ou descobri insuspeitos conservadores entre suspeitos propagadores do besteirol. Faço-me mais direta: colocar o insosso Tom Hanks como herói a la Indiana Jones de um thriller notoriamente repleto de correrias e conspirações, em parceria com a insípida Audrey Tauton, do cultuado filme da Amélie Poulain, outro atentado cinematográfico, é pedir para o espectador usar a imaginação em excesso. Até mesmo para leitores de Dan Brown. Vivacidade e inteligência no Hanks e carisma na mocinha de Tauton, esses sim são enigmas mais indecifráveis do que o Santo Graal. Afora a estranha escolha de elenco, dizem por aí que o filme é chato pacas, aposta praticamente confirmada a engrossar as fileiras das superproduções que mais terão queda de público após a primeira semana de exibição. Até agora, não se sabe de uma criticazinha positiva à obra. Bom, eu não li a opinião da dona Marxilena.
A cada novo conservador (nesse caso, supostamente uma penca deles) que descubro, reacende em mim a arte de sorrir, por mais que o mundo diga não.
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Nego-me com todas as forças a comentar a pesquisa recentemente divulgada que aponta vitória do Molusco já no primeiro turno, em todo e qualquer cenário. Não quero praticar auto-sabotagem, ao perder os vestígios de respeito à espécie humana.

Optei por adicionar o seu blog à minha lista de links conservadores, confira em http://novadireita.blogspot.com

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noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)