quarta-feira, março 08, 2006

Ser Moribundo e outras histórias


Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, publico poema de autoria do meu amigo Eduardo Levy, de volta ao mundo virtual e aos inspirados textos após um breve recesso, sobre o “progresso” da condição feminina com o passar dos tempos. Serve como contraponto à socióloga da UFRGS especialista em “espaço e importância das mulheres no mundo” (quá) que afirmou que as mulheres são minoria desrespeitada, como os gays e negros, vítimas de uma sociedade patriarcal, e patati patatá.

Ser Moribundo

Feita mulher.
Largou o ser menina.
Perdeu aquela perna fina.
Perna fina que me desatina.
Me desatina a perna fina da menina.
Perna fina da menina que me desatina.

Aquele olhar ingênuo
Em misturas diabólicas
Apartou o que tinha de veneno
Foram-se as sensações eólicas.

Crescida – mudada toda.
Roubada do barangandã.
Falta daquele não sei quê
Mergulhada que anda em barafunda.

Foi princesa – é cachorra.
Mereceu poesias – contêmpora patifarias.

Era toda pintada por Rafael, perfeita, por natura.
Agora, tristeza do triste, é de plástico, homem a espessura.

Juntaram-se opostos os partidos
Tudo numa conspiração.
Roubaram-lhe a natureza, a mim o coração.

agora Camões não teria tema
Tampouco
Nabokov qualquer pequena.
Falta-lhe um réquiem
Vive ainda como um Frankstein.

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A polêmica da semana no RS está a cargo dos inúmeros episódios envolvendo os revoltadinhos do MST, o maior grupo de crime organizado da AL, em seu “março vermelho”. Com o apoio de ilustres venezuelanos, cubanos e toda a sorte de propagadores do caos revolucionário, destruíram uma fazenda, como de praxe, alegando que a atitude era simbólica, alheia à questão se a propriedade era produtiva ou não; rasgaram em frente às autoridades o mandato judiciário de retirada; destruíram mais de 5 milhões de mudas e um laboratório inteiro em outra propriedade, alegando que madeira não produz comida.

A polícia, desmoralizada e sem recursos, cogita invadir e tirá-los à força, para logo em seguida recuar e alegar que os “camponeses”, cujo conhecimento em guerrilha ultrapassa e muito o sobre terra e plantações, estão ferozmente dispostos a tudo, armados até os dentes com pás, escudos de metal, foices, martelos... Sem contar a tática de colocar mulheres e crianças na frente do pelotão, para “sensibilizar” a opinião pública, em caso de derramamento de sangue. Obviamente, as autoridades omitem o fato de estarem é tremendo de medo. De tudo.

domingo, março 05, 2006

Autobiografia e algumas apostas confirmadas

Agora que todas as cinzas dos festivos de Momo foram espalhadas, o ano finalmente teve início no Brasil. Começou para ficar restrito a apenas dois tópicos: eleições, onde votar em ninguém surge como única opção, e Copa do Mundo, para a qual os veículos de comunicação já se prestam a fazer contagem regressiva há horas, com o perdão do trocadilho. Nada mais interessa. Beleza pura, pura miopia.

Meu carnaval foi sereno, um revival de um aparentemente longínquo 2002. É, cada vez que chega e passa o carnaval, recordo-me dos meus festivos daquele ano: estava hospedada na casa dos meus avós, com a família e primos. Em uma das noites da folia, o pessoal recolhido, eu, a notívaga-mor, decido ler algo antes da soneca. Então, recorro à biblioteca do meu avô. Lá, deparo-me com Waaal - O Dicionário da Corte de Paulo Francis, que já estivera na minha própria casa, graças ao meu pai. Como eu sempre fora curiosa, já havia mexido no livro e lembrava que trazia vários tópicos referentes ao cinema. Voltei ao quarto com a obra, sem saber a mudança que aquela mera prorrogação do sono ocasionaria na minha vida. Começo a folheá-lo, parando os olhos aqui e ali, sem maiores pretensões, até encontrar um tópico que narrava uma recordação de viagem do Francis. Nela, ele comentava uma ida a um restaurante de algum país europeu (infelizmente não recordo mais qual era. Se alguém souber, manifeste-se) em que, ao solicitar a carta de vinhos, recebera uma vasta, com os mais variados tipos de uva, safras e produtores. Todos ali, à sua escolha. A reflexão do saudoso jornalista foi singela, mas bastou para enterrar muitos resquícios de esquerdismo chique com os quais havia saído há três meses do colégio: ele jamais receberia tantas opções se estivesse em qualquer país comunista ou fã do leviatã.

Competição era a palavra-chave. Para quem havia recém saído de um exaustivo vestibular, onde a competição, a meritocracia e por que não o acaso são os ingredientes do sucesso (veja só, até o vestibular nos moldes tradicionais está “ultrapassado” por cotas para índios, pobres... Sugiro as cotas a canhotos, vesgos, analfabetos, tatuados, todos minorias), aquelas palavras fizeram muito sentido. Parece pueril, mas digamos que abri o livro com a cachola lotada de clichês estatólatras e fechei-o revendo um por um. Depois disso, o resto são outras histórias.

É por essas e outras que sempre brinco que vinhos, a boemia e o cinema salvaram minha consciência.

Enquanto tenho essa lembrança, a Vila Isabel celebrou aos gritos de revolución ya, assim mesmo, em español, a vitória obtida com seu desfile patrocinado milionariamente pelo bufão venezuelano, às custas dos bolsos alheios obviamente. Você sabia que a governadora Garotinha convidou Chávez – o tiranete comunista venezuelano, não o do seu Madruga – para celebrar o sucesso do investimento em um camarote no desfile das campeãs? Você sabia que vários hermanos venezuelanos que estavam em solo tupiniquim em virtude do desfile aproveitaram para esticar a visita, participando de invasões de terra em companhia dos guerrilheiros do MST?

Desde que a Beija-flor levou o título em 2003 com a escultura do Molusco de braços abertos, posando de Cristo Redentor em uma alegoria, e que a Mocidade, a escola que gostava, tornou-se porta-voz da ONU, abusando de desfiles patéticos de tão politicamente corretos, perdi as esperanças em pitadas de criatividade no nosso mais tradicional e exportável evento panis et circences. Fazer o quê.

Por falar em cinema, a noite do Oscar chegou. Grande coisa. Minhas apostas dificilmente não serão confirmadas: filme, diretor e tudo o mais irão para os caubóis beijoqueiros... entre si; ator irá para o Capote de Philip Seymour Hoffman; a melhor atriz do ano será a queridinha do Legalmente Loira (pobre da Judi Dench), ou, correndo por fora, uma das Desperate Housewives... por um transexual.

Oscar mais “alegre” que esse não poderia haver.

(Qualquer dia desses comentarei com mais detalhes sobre os filmes)

noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)