terça-feira, fevereiro 21, 2006

Mick Jagger, o conservador


Rolling Stones é bem melhor do que U2. O show do U2 foi bem melhor do que o dos Stones. Também, pudera: não há como esperar muito de um evento grátis, em comparação com outro cujo ingresso menos caro custava R$ 200.

A platéia dos irlandeses estava comovida, extasiada, aproveitando (ou acreditando estar) cada centavo investido. 48 horas antes, quanto mais Sir Jagger se contorcia gratuitamente, menos a platéia o acompanhava. Eu, há quilômetros e mais quilômetros de distância, estava mais motivada do que os lá presentes. Antes de começar. E olha que o melhor show que esse país já assistiu foi em um longínquo 1995, dos mesmos ingleses. E eu só tinha 10 anos. Aqui, não há acusação alguma de memória curta aos tupiniquins, uma vez que show business deve ser isso mesmo, efêmero, porque refletir cansa, dá trabalho. Em qualquer situação e sobre qualquer assunto. Por isso, para que despender energia discutindo picuinhas pop, salvo em mesas de bar?

Enfim, após hiato de 8 anos, temos em nosso solo Bono Vox, o multimilionário que adora pregar. Não pregos, nada que possa calejar as mãos, mas a pregação errada em cada situação. No show da mesma turnê no Canadá, ele criticou as guerras, enfatizando – precisa dizer? – a situação no Iraque. Deixou foi o público pregado de tédio com tamanha ladainha em um país politicamente correto e neutríssimo. Afinal, era mais do mesmo. Quando pregou a paz entre cristãos, muçulmanos e judeus aos brasileiros, foi ovacionado sem ovos pela platéia majoritariamente universitária, pois seu profeta pregara a paz, o bem supremo. Apesar da diferente reação, outra vez mais do mesmo, já que falar em tolerância religiosa no Brasil é facil. Acontece que terrorista muçulmano algum irá atrás das palavras de um roqueiro e deixará de explodir gente e de sabotar o ocidente. E com a ajuda do mesmo ocidente, tanto que Bin Laden novamente deu o ar da graça, para testar seu ibope em terras a oeste e dizer que os EUA são tão criminosos quanto Saddam foi no Iraque (quando descobrirem iraquianos com olhos vazados, câmaras de estupro e interrogatórios com base em choques elétricos em bebês em frente aos pais por obra de americanos, serei obrigada a concordar com Osama) e enchendo a boca para afirmar que a América jamais o pegará vivo. Seria o prenúncio da possibilidade dele tornar-se homem-bomba? Acho brabo, seus discípulos têm prioridade.

Já o provecto Jagger não fala sobre a paz mundial, sequer participa de boca livre com moluscos e posa de garoto(sic)-propaganda para o Fome Zero. Aliás, paga aos vários filhos os melhores colégios do mundo. Conservadores, invariavelmente. Decerto para seus filhos não serem educados de que o mal do universo é a fome e a solução é a paz, como Bono educa os filhos dos outros. Mick é um conservador, surpreendentemente. Seria esse o segredo da superioridade dos Stones? Pense nisso no próximo pub.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Fogo no mundo

Passei a receber vários e-mails com textos sobre a religião dos muçulmanos, focando, principalmente, na importância do profeta Muhammad, protagonista de charges consideradas ofensivas pelos islâmicos, a ponto de colocarem não a boca no mundo, e sim fogo. Mensagens que defendem a figura do profeta e a sacralidade de suas palavras. Nada semelhante ao que ocorre quando Dan Brown adapta o cristianismo à sua imagem e semelhança.

Uma jihad por causa de charges em um jornal dinamarquês? Com o óbvio apoio dos multiculturalistas ocidentais, cuja única cultura desvalorizada perante seus espíritos libertários e científicos é a sua própria.

O novo império mongol
(Olavo de Carvalho)

Se você escreve uma cartinha aos jornais contra a proibição das preces nas escolas públicas, contra peças de teatro que mostram um Cristo gay ou mesmo contra as matanças de cristãos na China, no Sudão e na Coréia do Norte, você é um fanático fundamentalista, um extremista de direita. Mas, se você ateia fogo em embaixadas e sai pelas ruas ameaçando matar meio mundo para mostrar quanto você odeia uma caricatura de Maomé publicada num pequeno jornal dinamarquês, você é um cidadão de bem no pleno uso do direito de protestar contra um insulto sacrílego. Tal é o critério de julgamento que a mídia internacional acaba de impor à humanidade, com a aprovação explícita ou implícita de vários governos europeus, da ONU, do presidente George W. Bush e até – mas será o Benedito? – do Papa. A unanimidade mundial dos bem-pensantes contra os dinamarqueses brotou na mesma semana em que o Congresso americano está votando uma lei – mais uma, na escalada da repressão anticristã inaugurada seis décadas atrás por Franklin D. Roosevelt – que suprime toda ajuda estatal para internação em asilo no caso de qualquer velhinho com Alzheimer que, nos cinco anos anteriores, tenha cometido o pecado de dar contribuição em dinheiro a alguma igreja, mesmo no montante de um dólar ou dois. Não consta que S. Santidade tenha protestado contra essa discriminação ostentiva – mas desenhar o Profeta, ah, isto o Vaticano não tolera.

O mais interessante no episódio é que as explosões de ódio antidinamarquês não foram suscitadas pelo conteúdo específico da charge – que a rigor nada diz contra o Islam enquanto tal, apenas contra o terrorismo – e sim pelo simples fato de que ela mostre o Profeta Maomé, o qual pela lei islâmica só pode ser representado com o rosto encoberto. Ao endossar a legitimidade do violento protesto muçulmano, a alta hierarquia católica está simplesmente forçando os fiéis da sua Igreja a obedecer o mandamento de uma religião alheia. De quebra, estende essa mesma obrigação aos protestantes, aos judeus, aos budistas, aos ateus e a tutti quanti. O Islam deve ser mesmo uma religião muito especial, já que suas leis não são obrigatórias só para os muçulmanos, mas para toda a humanidade.

O velho Império Mongol não reconhecia a existência de outros impérios ou de nações independentes. Na sua lei, só existiam duas áreas no mundo: as obedientes e as desobedientes. Estas não passavam de territórios mongóis provisoriamente rebelados, destinados a ser punidos e subjugados mais dia menos dia. O Islam reconhece, oficialmente, a legitimidade de algumas outras religiões, entre as quais o cristianismo e o judaísmo. Mas esse reconhecimento se torna mero formalismo oco a partir do momento em que os fiéis dessas religiões já não podem decidir suas próprias ações de acordo com os mandamentos delas, e em vez disto se vêm obrigados a cumprir mandamentos islâmicos. Para o cristão não há nada de mau em desenhar o rosto de Cristo, nem para o budista em pintar uma imagem do Buda. Pelos critérios de suas religiões respectivas, não pode portanto haver erro ou crime em desenhar o profeta de uma outra religião. Mas quem disse que eles têm o direito de julgar isso de acordo com sua própria religião? Que sigam o Corão e não reclamem.

A imposição da shari’a como lei obrigatória para toda a espécie humana, com a concomitante supressão de todas as leis religiosas concorrentes, é uma das metas mais óbvias do imperialismo cultural islâmico, ponta de lança do imperialismo político e militar. Com a ajuda de praticamente toda a elite ocidental, a luta por objetivo alcançou durante esta semana uma vitória formidável.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Mais sobre o mesmo e saudades do aipim

Em posts recentes, abordei a questão da manipulação feita por produções ditas culturais e como esse processo estrutura-se. Personalidades predispostas podem sofrer efeitos graves com mensagens tratadas como plurais e nobres pelos meios de comunicação, do choque em entrar em contato com informação considerada indispensável, sem ter condições de julgar seus fundamentos. É fato, por exemplo, a taxa de suicídios ter aumentado entre os contemporâneos de Goethe, em todos os países em que a obra sobre o jovem Werther circulou, comprovando os efeitos que modas e produções culturais possuem sobre gostos e comportamentos.

Por outro lado, não se deve considerar que todos podem ser robotizados por essas obras. É então onde entra o tão ignorado indivíduo, sufocado por alguns iluminados que acreditam saber escolher por milhões, sufocando, mas não destruindo a fagulha que nos pode elevar, nosso livre-arbítrio, nossa liberdade de consciência.

Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim

Até que tava gostoso, mas eu prefiro aipim.

(Mamonas Assassinas)

O brasileiro responsável pelas relações diplomáticas tupiniquins com a Cingapura enviou, em seu relatório de final de ano, memorando com os seguintes dizeres: “As carnes ditas brasileiras, por aqui, são fatiadas com bem menos perícia do que no Brasil; além disso, carecem de farofa e aipim frito”. Trocando em miúdos, o embaixador fatura US$ 8000 mensais e, na hora de manifestar-se e de propor algo, queixa-se da ausência de aipim?

Detalhe: as despesas mensais com essa embaixada são maiores do que o retorno em negociações. Mísero detalhe.

(Fonte: IstoÉ Dinheiro)

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Camaradas unidos jamais serão vencidos?


Esse é um post cujo assunto e declarações presentes eu adoraria que todos os visitantes estivessem com problemas capilares de tanto saber. Esse é um post especial para os que ainda acreditam em coelhinho da Páscoa, ou que nazi/fascismo e seu ícone, Hitler, eram de "extrema-direita". Igualzinho ao Bush. Esse é um post de revolta contra todas as vezes em que sou obrigada a ler e ouvir essa mentira, repetida mil vezes até tornar-se verdade (sic). Contra todas as vezes em que VOCÊ foi obrigado(a) a passar por essa mesma situação. Vamos lavar a alma, ainda que só por um instante:

''Há mais do que nos une ao bolchevismo do que nos separa dele. Há, acima de tudo, um sentimento genuinamente revolucionário, que está vivo em todo o lugar na Rússia. Eu sempre considerei essa circunstância, e dei ordens para que ex-comunistas sejam admitidos no Partido imediatamente. A pequena burguesia social-democrata e os sindicalistas nunca serão um nacional-socialista, mas o comunista sempre será.''
(Adolf Hitler)

''Eu aprendi muito com o marxismo, como não hesito em admitir. A diferença entre eles e eu é que eu tenho posto em prática o que esses 'revolucionários teóricos' têm começado timidamente. Eu tive apenas de concluir logicamente que a social-democracia falhou repetidamente devido à sua tentativa de realizar a evolução dentro da estrutura democrática. O nacional-socialismo é o que o marxismo poderia ter sido se ele tivesse quebrado suas ligações absurdas e artificiais com a ordem democrática.''
(Adolf Hitler)

"O movimento nacional-socialista (nazista) tem um só mestre: o marxismo".
(Goebbels, Kampf um Berlin, p.19)

"Nós somos socialistas, e inimigos mortais do atual sistema econômico capitalista".
(Der Nationalsocialismus, die Weltanschauung des 20 Jahrhunderts)

(em celebração aos universitários que interrompem aulas para contrariar a afirmação que Hitler e Stálin foram genocidas e para lá de semelhantes, alegando uma imensa diferença entre ambos: enquanto o austríaco foi levado ao poder pelas elites, Stalin foi pelo povo, pela massa. Triste, triste.)


sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Rumo à fazenda


A massa é sempre de manobra. Em cada geração, são poucos os indivíduos que se elevam e conseguem manter a integridade de suas consciências. Lei da vida. E dizer o que quando os herdeiros da chamada elite da nação louvam o que há de mais desprezível no já raso mundo do entretenimento? Devo ser antiquada demais ao preferir balançar o esqueleto ao som daqueles popzinhos anos 80 e soltar a voz com crássicos bregas, em vez de em ritmo de Atoladinha, ou de traficantes do Bronx wannabe...

Está provado que o método mais simples de ganhar controle das pessoas é torná-las indisciplinadas e ignorantes dos princípios básicos da vida e, ao mesmo tempo, mantê-las confusas, desorganizadas e distraídas com assuntos supérfluos. Isso é obtido por sabotamento das atividades mentais e estímulo ao hedonismo em ataques emocionais constantes, travestidos de mais puro apelo racional, ou - ainda melhor e mais respeitoso -, “científico”. Palavra imponente. Vi um exemplo em uma matéria com a coordenadora de uma ONG americana de educação sexual, na qual ela condena a campanha bushista pró castidade, indignada por razões políticas conservadoras, portanto ultrapassadas, e a religião, essa mesquinharia, estarem sobrepondo-se à ciência (sic). Sem contar a tentativa e sucesso em reescrever a história, a lei e sujeitar o público a uma arte degradada. A regra geral é que há lucro na confusão: quanto maior o caos, maiores os lucros. Enquanto isso, consciências e mais consciências são embotadas. Nada pode vir do caos, da ausência total de ordem.

Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem tempo de parar e refletir. Em direção à fazenda, com os outros animais irracionais.


noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)