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Cinema: dados e recados

Quem me conhece sabe que uma das minhas paixões é o cinema, que defino como meu saudável e único vício. Mesmo assim, escrevi quase nada sobre o assunto nesse mais de meio ano de vida blogueira, com exceção de um post sobre o ótimo Batman Begins.

A quem me conhece apenas virtualmente, aviso que sou daquelas cinéfilas que anotam o título de todos os filmes vistos a cada ano desde 2003. É interessante destacar, olhando minhas “estatísticas cinematográficas” (chique, não?), que o ano em que vi mais filmes foi justamente 2005: 175 no total, sendo apenas 26 na telona, cujo recorde ocorreu em 2004, com 47 filmes entre 117. E o que esse decréscimo significa, se sempre fui uma entusiasta das impressões diferenciadas obtidas durante a projeção no escurinho do cinema? Como se não bastassem alterações na rotina a partir do segundo semestre (a faculdade atrapalhando minha vida cinematográfica ao dificultar eventuais escapulidas, com todos os professores atribuindo notas vindas do número de presenças) e correrias da vida de estagiária, 2005 não foi um dos melhores períodos para a sétima arte, tanto que só lamento não ter conseguido ver o A Luta pela Esperança. Os demais que esperem a tv.

No entanto, sempre há algo de bom: entre os destaques, nada de muita estética e pouca ética de um Sin City (a crítica aclamou, os mesmos que condenaram a "violência excessiva" de A Paixão de Cristo), a "alegria" de Alexandre, a péssima continuação de O Chamado, o islâmico Cruzada ou os cansativos Guerra dos Mundos e O Aviador, e sim ficam a cargo de Menina de Ouro, A Queda, Herói e o já citado Batman. E não, não vi Os 2 Filhos de Francisco, nem em cópia pirata.

Sim, poucas recomendações, situação não tão distinta à do ano anterior, no qual tivemos Cold Mountain, Terra dos Sonhos (não deixe de ler a comparação feita no A Elegância Vai ao Cinema com Encontros e Desencontros), o próprio Paixão de Cristo, Kill Bill, principalmente o Vol.2, e Homem-aranha 2, descontadas bombas como Tróia, O Dia Depois de Amanhã e o porcumentário do mais eficiente garoto-propaganda republicano, Michael Moore, que tenta vender mentiras em forma de investigação em produtos para a geração cultivada a videoclipes da MTV.

Aproveitando o período de férias totais, o primeiro filme do ano no cinema foi King Kong, o qual relutei em assistir quando lançado, priorizando Shakespeare e seu Mercador de Veneza e As crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis, ideal para a época de Natal. Se você não for anticristão, é claro. Além da concorrência, havia uma certa má vontade minha com o macacão, já que guardo trauma de outro filme com símios em destaque e imaginava tratar-se de uma superprodução que mostraria o gorila como dono da masculinidade perdida em meio a mocinhos nada heróicos e idiotas.

O filme mostra-nos uma personagem precisamente assim, o ator canastrão egocêntrico, mas devidamente ridicularizado e servindo de alívio cômico, o que não ocorre com o pretendente humano da protagonista, retratado como tímido, porém corajoso. Pois fui surpreendida e afirmo que não me divertia tanto desde a trilogia de O Senhor dos Anéis, por coincidência também de Peter Jackson. Obviamente não os comparo em matéria de simbolismo e riqueza narrativa, mas é inegável que King Kong é entretenimento dos bons: as seqüências na Ilha da Caveira, habitat de Kong, dinossauros e toda sorte de insetos gigantescos, têm capricho técnico em cenas de ação ininterruptas e sabor de despretenciosa matinê dos anos 30, época do lançamento da primeira versão.

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No post de ontem, sugeri que Lula participasse do carnaval e lançasse candidatura a rei Momo, a realeza a que teria direito. Não é que ele está prestes a entrar no enredo de uma escola de samba do Rio? Escola do grupo de acesso, é verdade, mas não desmerece o brilho da homenagem: Lula lidera pesquisa que a escola Renascer de Jacarepagua está realizando via e-mail contatos@gresrenascer.com.br para descobrir qual personalidade nacional merece lugar... no inferno! Até agora, apenas Garotinho ameaça roubar o lugar do presidente ao lado do capeta. Páreo duro. (Notícia publicada ontem no Globo Online)

noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)