quarta-feira, janeiro 25, 2006

Ainda e sempre Jane Austen

Sempre que ouço o nome de Jane Austen, recordo-me de uma discussão a mim narrada por não lembro mais quem, na qual Paulo Francis discordava dos demais integrantes do Manhattan Connection quando eles afirmavam que as obras dela e nela inspiradas eram "para mulherzinha". Francis, o ácido, talentosíssimo e, obviamente, temido crítico cultural, quem diria, imediatamente retrucava que não eram de forma alguma, pois homens também sofrem por amor. Nada de elogiar a visão aguçada, sem abandonar a leveza, do panorama social da época. Bons diálogos? Construção de enredo? Personagens? Nada disso. Homem sofre por amor, e ponto final.

Abaixo, segue artigo recente sobre a autora, escrito pelo jornalista português que descobriu a combinação certeira para curar dores de amor: os indefectíveis lencinhos e o exemplar de "Orgulho e Preconceito".

Alain de Botton escreveu um livro sobre Proust para mudar todas as vidas. Bom negócio. Nos últimos tempos, tenho pensado em Jane Austen para mudar a minha. Corrijo. Tenho pensado em mim, no meu bolso e nas histórias de Miss Jane para mudar as vossas. Assim é que é.

Acontece quando um amigo (melhor: uma amiga) entra aqui em casa com lágrimas nos olhos. Problemas sentimentais, por favor, não façam caso. Fatalmente, tenho sempre dois objetos sobre a mesa: uma caixa de lenços de papel e, claro, uma cópia de "Orgulho e Preconceito", o livro que Jane Austen publicou em 1813. Entrego o livro e, com palavras paternais, aconselho: Lê "Orgulho e Preconceito" e encontrarás a luz, meu amor.

Eles lêem e depois regressam, com a alma levantada, mais felizes que Mr. Scrooge ao descobrir que está vivo e é Natal. Inevitável. Jane Austen entendia mais sobre a natureza humana do que quilos e quilos de tratados filosóficos sobre a matéria.

Mas, primeiro, as apresentações: leitores, essa é Jane Austen, donzela inocente que nasceu virgem e morreu virgem. Jane, esses são os leitores (ligeira vênia). A biografia não oferece aventuras. Poderíamos acrescentar que morou com a família até ao fim. Que publicou os seus romances anonimamente, porque não era de bom tom uma mulher se entregar aos prazeres da literatura. E que suas obras, apesar de sucesso moderado, têm conhecido nos últimos anos um sucesso estrondoso e as mais díspares interpretações políticas, literárias, filosóficas, até econômicas. Já li textos sobre a importância das finanças na obra de Jane Austen. Sobre o vestuário. Sobre a decoração de interiores. Sobre os usos da ironia no discurso direto. Para não falar de filmes - mais de vinte - que os seus livros --apenas seis-- suscitaram nos últimos tempos. O último "Orgulho e Preconceito" foi recentemente filmado no Reino Unido, com Keira Knightley (suspiros, suspiros) no papel principal. Vai aos Globos de Ouro. Provavelmente, aos Oscars também.

A loucura é total. Jane Austen mal sabia que, depois da morte, em 1817, o mundo acabaria por descobri-la e, sem maldade, usá-la e abusá-la tão completamente. Justo. Considero Jane Austen uma das maiores escritoras de sempre. Incluo os machos na corrida. Sem Austen, seria impensável encontrar Saki, Beerbohm ou Wodehouse. Miss Jane é mãe de todos.

E "Orgulho e Preconceito"? "Orgulho e Preconceito" tem eficácia garantida para males de amor. Vocês conhecem a história: Elizabeth, filha dos Bennet, classe média com riqueza nos negócios (quel horreur!), conhece Darcy, aristocrata pedante. Ela não gosta da soberba dele. Ele começa por desprezar a condição dela --social, física-- no primeiro baile onde se encontram. Com o tempo, tudo se altera. Darcy apaixona-se por Elizabeth. Elizabeth resiste, alimentada ainda pelas primeiras impressões sobre Darcy. Darcy declara-se a Elizabeth, sem baixar a guarda do preconceito social. Elizabeth não perdoa o preconceito de Darcy e, ferida no orgulho, recusa os avanços. Darcy vai ao "Faustão". Não, invento. Darcy lambe as feridas e afasta-se. Mas tudo está bem quando termina bem: Darcy e Elizabeth, depois das primeiras tempestades, estão condenados ao amor conjugal.
Aplausos. The end.

As consciências feministas, ou progressistas, sempre amaram a atitude de Elizabeth: nariz alto, opiniões fortes, capaz de vergar Darcy e o seu preconceito aristocrático. Elizabeth seria uma espécie de Julia Roberts em "Pretty Woman", capaz de conquistar, com seu charme proletário, um Richard Gere que fede a presunção. "Orgulho e Preconceito" seria, neste sentido, um livro anticonservador por excelência, ao contrário de "Sensibilidade e Bom Senso", onde a hierarquia social tem a palavra decisiva. Elizabeth não é boneca de luxo, disposta a suportar os mandos e desmandos do macho. Ela exige respeito. Pior: numa família com dificuldades financeiras, Elizabeth comete o supremo ultraje --impensável no seu tempo-- de recusar propostas de casamento que salvariam a sua condição e a conta bancária de toda a família. A mãe de Elizabeth, deliciosamente histérica, atravessa o romance com achaques nervosos, prostrada no sofá. Se "Orgulho e Preconceito" fosse um romance pós-moderno, a pobre mãezinha passaria metade do tempo suspirando: Esta filha vagabunda vai levar a família toda para a sarjeta!

Elizabeth não cede e triunfa. A família também. E os leitores progressistas?

Esses, não. Os leitores progressistas tendem a ler "Orgulho e Preconceito" como se existissem na trama duas personagens distintas, vindas de mundos distintos, com vícios e virtudes também distintos. Darcy contra Elizabeth, até ao dia em que o amor é mais forte. Erro. Jane Austen não era roteirista em Hollywood. E os leitores progressistas saberiam desse erro se soubessem também que o título original de "Orgulho e Preconceito" não era "Orgulho e Preconceito". Era, tão simplesmente, "Primeiras Impressões".

Nem mais. Se existe um tema central no romance, não é Elizabeth, não é Darcy. E não é, escuso de dizer, o dinheiro, a ironia dos diálogos ou a decoração de interiores. "Orgulho e Preconceito" é uma meditação brilhante sobre a forma como as primeiras impressões, as idéias apressadas que construímos sobre os outros, acabam, muitas vezes, por destruir as relações humanas.

De igual forma, "Orgulho e Preconceito" não é, como centenas e centenas de histórias analfabetas, uma história de amor à primeira vista. É, como escreveu Marilyn Butler, professora em Cambridge e a mais importante crítica de Austen, uma história de ódio à primeira vista. E a lição, a lição final, é que amor à primeira vista ou ódio à primeira vista são uma e a mesma coisa: formas preguiçosas de classificar os outros e de nos enganarmos a nós. Elizabeth despreza a arrogância de Darcy sem perceber que essa arrogância, às vezes, é uma forma de defesa: o amor assusta mais do que todos os fantasmas que habitam o coração humano. Darcy despreza Elizabeth porque Elizabeth é uma ameaça ao seu conforto social e até sentimental. Elizabeth e Darcy não são personagens distintos. Eles são, no seu orgulho e preconceito, personagens rigorosamente iguais.

Jane Austen acertou. Duplamente. Como literatura e como aviso. O amor não sobrevive aos ritmos da nossa modernidade. O amor exige tempo e conhecimento. Exige, no fundo, o tempo e o conhecimento que a vida moderna de hoje não permite e, mais, não tolera: se podemos satisfazer todas as nossas necessidades materiais com uma ida ao shopping do bairro, exigimos dos outros igual eficácia. Os seres humanos são apenas produtos que usamos (ou recusamos) de acordo com as mais básicas conveniências. Procuramos continuamente e desesperamos continuamente porque confundimos o efêmero com o permanente, o material com o espiritual. A nossa frustração em encontrar o "amor verdadeiro" é apenas um clichê que esconde o essencial: o amor não é um produto que se compra para combinar com os móveis da sala. É uma arte que se cultiva. Profundamente. Demoradamente.

Por isso, leitores desesperados e sonhadores arrependidos, leiam Jane Austen e limpem as vossas lágrimas! Primeiras impressões todos temos e perdemos. Mas o amor só é verdadeiro quando acontece à segunda vista.

(João Pereira Coutinho, Como Jane Austen pode mudar sua vida)

**************************************

Para quem não leu aqui tradução minha de artigo originalmente publicado em FrontPageMag, mais uma oportunidade (e olha que a vida não é sempre tão generosa assim), pois foi parar no melhor site de notícias do país, MSM.

domingo, janeiro 22, 2006

A revelação do Globo de Ouro


*Ang Lee, diretor do Brokeback Mountain, o filme dos caubóis gays, afirmou, em seu discurso de agradecimento ao prêmio recebido na última segunda-feira, o seguinte: “I like this kind of movie, because it’s a way to change people’s thinking”. E como, Mr. Lee. Além de melhor direção, a produção recebeu outros prêmios de destaque da noite - melhor filme e roteiro - e o de canção.

O Globo de Ouro é considerado a prévia do Oscar. Mau sinal. Justamente 2005, o ano em que foram vendidos ainda menos ingressos do que nos anteriores. Também pudera: quem pagará de bom grado para assistir a produções que não retratam sua existência e anseios, ou que tencionam revisar/revolucionar a própria cultura americana, transfigurando até mesmo a imagem tradicional (ô palavrinha cada vez mais démodé) do caubói, cujos principais valores – lealdade, coragem, amizade, liberdade e masculinidade – são ultrajantes em nossos dias, pois passam ao largo de bobagens existencialistas, marxistas, freudianas e niilistas, empurradas goela abaixo como dogmas politicamente corretos e relativistas?

Ok, alguns devem estar pensando: mas se foram vendidos poucos ingressos, se a audiência desse filme em especial foi baixa, composta a grosso modo por hollywoodianos e intelectuais engajados, e, portanto, seu apelo popular é quase nulo, por que o alerta? Simples. Uma estratégia visando mudança de comportamento ou opinião nunca vem dos cidadãos, isso até mesmo o diretor taiwanês sabe. São sempre idéias preconcebidas e ruminadas (literalmente) por "mentes brilhantes". E o desencadeamento do processo segue um padrão: algo ofensivo, segundo padrões morais que já deveriam estar ultrapassados, é defendido por especialistas (= engenheiros sociais) respeitados - por outros engenheiros por demais calculistas, mas que ignoram o funcionamento da HP -; de início, o público estranha, fica chocado; entretanto, tal fato é celebrado por simplesmente ter sido trazido à discussão, em um louvor infundado à liberdade de expressão, pluralidade de idéias e todo o blá blá blá do gênero, precisamente o lugar da love story country gay Brokeback Mountain; no processo, a repetição prolongada do assunto polêmico perde impacto e, por fim, não mais surpresas, as pessoas começam a discutir a moderação do extremismo inicial, adquirindo consciência de perspectiva antes ignorada. Mais moderno e corruptor do que esse processo? Difícil.

Bons tempos os de Os Imperdoáveis.

* Ang Lee dirigiu a maravilhosa adaptação da sempre maravilhosa Jane Austen, Razão e Sensibilidade. Isso foi em 95. É, o tempo passa, o tempo voa.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

A epidemia do estupro étnico

Segue tradução minha para artigo chocante publicado em Front Page Magazine dia 27/12/2005, recebido via e-mail.

********************************************************************************

Na Austrália, Noruega e Suécia, há um crime racial específico ocorrendo: homens islâmicos estupram mulheres ocidentais por razões étnicas. Isso é sabido porque os criminosos declaram abertamente suas motivações sectárias.

Adolescentes australianas foram sujeitadas a horas de degradação sexual durante uma série de violações em grupo em Sydney, entre 1998 e 2002. Os criminosos moldaram a razão para suas ações em termos explicitamente étnicos: as vítimas eram chamadas de "sluts" e "porcas australianas" enquanto abusadas. Na corte suprema australiana em dezembro de 2005, um estuprador paquistanês declarou que suas vítimas não tinham direito de dizer “não”, porque não escondiam o rosto sob o véu.

E australianos foram ultrajados quando o sheik libanês Faiz Mohammed deu uma conferência em Sydney na qual informou sua audiência que as vítimas de estupro não tinham ninguém mais a responsabilizar, a não ser elas mesmas. Mulheres vestindo pouca roupa convidam homens a estuprá-las, disse ele.

Alguns meses depois, em Copenhagen, o mufti e estudioso muçulmano Shahid Mehdi criou grande tumulto quando declarou que mulheres que não usavam véu, estavam pedindo para ser estupradas. Com assombroso sincronismo em 2004, o London Telegraph noticiou que o estudioso egípcio Sheik Yusaf al-Qaradawi reivindicou que as vítimas deveriam ser punidas se estivessem vestidas indecentemente no momento do crime. E acrescentou que, para ser absolvida da culpa, a mulher deve ter mostrado boa conduta.

Na Noruega e Suécia, o jornalista Fjordman nos informa de uma epidemia de estupro. O inspetor da polícia Gunnar Larsen declarou que o aumento constante do número de ocorrências desse crime e a ligação com etnia é indiscutível: dois de cada três acusados por estupro em Oslo são imigrantes anti-ocidentais e 80% das vítimas são norueguesas.

Na Suécia, de acordo com a tradutora para a Jihad Watch Ali Dashti, "estupros em grupo, geralmente envolvendo imigrantes muçulmanos e jovens suecas, tornaram-se rotineiros". Há algumas semanas, ela disse que 5 curdos violentaram brutalmente uma menina sueca de 13 anos.

Infelizmente, mulheres ocidentais não são as únicas vítimas desta epidemia, tanto que, na Indonésia, em 1998, grupos de direitos humanos documentaram o depoimento de mais de 100 mulheres chinesas violentadas durante os levantes que precederam a queda do presidente Suharto. Muitas delas disseram ter ouvido que deviam ser abusadas por serem chinesas e não-muçulmanas.

Christian Solidarity Worldwide relatou que, em abril de 2005, uma menina paquistanesa de 9 anos foi violentada, agredida com um bastão de cricket, pendurada de cabeça para baixo, algemada e surrada repetidamente. Seus vizinhos muçulmanos disseram-lhe que estavam vingando-se do bombardeio americano de crianças iraquianas e informaram-na que assim faziam por ela ser uma "infiel e cristã".

No Sudão - onde árabes muçulmanos massacraram negros muçulmanos e cristãos sudaneses durante o genocídio -, a ex-escrava e agora ativista de direitos humanos Simon Deng diz ter testemunhado meninas e mulheres sendo violentadas e que o regime árabe de Khartoum envia seus soldados ao campo para estuprar e matar. Em outros relatos, mulheres capturadas por forças do governo são perguntadas "você é cristã ou muçulmana?". Aquelas que respondem sim à primeira opção são violentadas antes de terem seus seios cortados fora.

Na França, Samira Bellil quebrou seu silêncio - após resistir a anos de violações repetidas em um dos projetos públicos de casas muçulmanas - e escreveu um livro, In the hell of the tournantes, que chocou a França. Ela explicou que, para as gangues, "toda menina da vizinhança que fumar, usar maquiagem ou vestir roupas atraentes é uma prostituta".

Este fenômeno de violência sexual islâmica contra as mulheres deve ser abordado urgente, mas, em vez disso, encontramos jornalistas, acadêmicos e políticos ignorando-o, ponderando ou banindo aqueles que ousam discutir.

Na Austrália, quando o jornalista Paul Sheehan relatou honestamente as violações de grupo em Sydney, foi chamado de racista e acusado de agitador antimuçulmano. E quando relatou em sua coluna do Sydney Morning Herald haver incidência elevada do crime contra a comunidade libanesa de Sydney, seu colega David Marr lhe enviou um e-mail dizendo "esta é uma coluna vergonhosa que reflete mal em nós todos do Herald".

Keysar Trad, vice-presidente da associação australiana de libaneses muçulmanos, disse que as violações de grupo eram um crime abominável, mas reclamou do quão injusto foi a etnia dos criminosos ter sido informada.

A jornalista Miranda Devine relatou, durante o julgamento das mesmas violações, que toda a referência à etnia havia sido suprimida das acusações das vítimas. Assim, quando a juíza Megan Latham declarou que "não há evidência alguma ante mim de qualquer elemento racial no ato destas ofensas", todos acreditaram. Assim, a corte, os políticos e a maioria da imprensa podem ter violado as meninas outra vez.

O detetive australiano aposentado Tim Priest foi advertido em 2004 que gangues libanesas surgidas em Sydney nos anos 90 haviam ficado fora de controle. "Os grupos libaneses eram implacáveis, extremamente violentos e intimidam não somente testemunhas inocentes, mas mesmo policiais que os tentam prender". O detetive descreve como em 2001, em área dominada por muçulmanos de Sydney, dois polícias pararam um carro com três árabes suspeitos de roubo. Enquanto a polícia realizava sua busca, era ameaçada fisicamente, e os três homens planejavam segui-los, matá-los e violentar suas namoradas. De acordo com Priest, enquanto os policiais chamavam reforços, os três suspeitos usaram seus celulares para chamar seus comparsas e, dentro de alguns minutos, 20 homens chegaram, empurrando e ferindo os policiais, além de danificarem seus veículos. Os policiais recuaram, e o grupo seguiu à delegacia, onde intimidou a equipe de funcionários, danificou a propriedade e seqüestrou o local. No fim, a polícia lambeu suas feridas, e ninguém moveu ação contra os agressores. Priest alega que, nas mentes da população local, a polícia é covarde, e a mensagem era que libaneses comandam as ruas.

Na França, onde as agressões tornaram-se nada além de corriqueiras, as vítimas sabem que a polícia não as protegerá. Caso se queixem, Samir Bellil diz saberem que, junto com suas famílias, estarão ameaçados. Mesmo assim, muçulmanas nos guetos franceses estão lutando contra os crimes e a negligência policial. Em um movimento chamado Não somos nem prostitutas, nem capachos, estão esforçando-se para enfrentar a violência intrínseca que flagela sua vizinhança e a cultura que a desculpa. Na maioria dos processos franceses, os estupradores muçulmanos demonstram não acreditar que cometeram um crime. Em um paralelo assustador com a Austrália, reivindicam à vítima que ela mesma deve responsabilizar-se e acusam-nas de ser "cadelas" ou "prostitutas". De acordo com The Guardian, durante os motins franceses recentes, um príncipe saudita com ações da News Corporation orgulhou-se em uma conferência em Dubai de ter telefonado para Rupert Murdoch, para queixar-se sobre notícia da Fox descrevendo os distúrbios como "motins muçulmanos". Dentro de meia hora, a referência foi mudada para "motins civis".

O tradutor sueco Ali Dashti indicou que, na Suécia, tais histórias estão nos jornais toda semana, mas o politicamente correto "toma grande cuidado para não mencionar o fundo étnico dos criminosos". Já o jornal inglês de circulação sueca The Local relatou em julho que o comandante das polícias de Malmo, Bengt Lindström, havia sido acusado de incitar o ódio racial quando emitiu e-mais de seu computador pessoal a dois oficiais da cidade dizendo: "vocês tratam velhos trabalhadores árduos como parasitas e prefeririam dar meus impostos a criminosos chamados Mohammed de Rosengärd". Em Malmo, a terceira maior cidade sueca, a polícia admitiu não ter mais controle da cidade "governada eficazmente por grupos violentos de imigrantes muçulmanos": ambulâncias são atacadas regularmente e estão recusando-se a ajudar até que uma escolta chegue, e policiais estão demasiado receosos em chegar a certas partes da cidade sem apoio.

No início de 2005, os jornais noruegueses noticiaram que Oslo já havia registrado número maior de casos de estupro em comparação aos doze meses precedentes. Entretanto, Fjordman explica que as estatísticas oficiais não contém nenhum dado a respeito de como os imigrantes são brutalmente excessivos, e a mídia permanece estranhamente silenciosa. O professor de Oslo de antropologia Unni Wikan disse que as mulheres norueguesas devem assumir responsabilidade para o fato dos homens muçulmanos considerarem sua maneira de vestir provocativa e por eles acreditarem que as mulheres sejam culpadas pela violação, ou seja, as mulheres devem adaptar-se à sociedade multicultural ao redor.

A BBC cancelou um documentário programado para 2004 depois que a polícia na Grã Bretanha advertiu que tal exibição poderia aumentar a tensão racial. O documentário mostraria como paquistaneses e outros muçulmanos abusam sexualmente de jovens e meninas brancas inglesas, muitas com cerca de 11 anos de idade.

O número de violações cometidas por muçulmanos na última década é tão incrivelmente elevado que não pode ser visto como desconexo ao comportamento cultural implícito, uma vez que publicamente é reforçado e sancionado pelos líderes religiosos islâmicos, ao responsabilizarem as vítimas e desculparem os criminosos. Em três décadas de imigração em países ocidentais, o islã causou levantes e destruição em cada país, nenhum outro programa de imigração encontrou problemas de não-assimilação e ambigüidade religiosa. Em toda parte no mundo, os muçulmanos estão no conflito com seus vizinhos. E como Mark Steyn disse, cada conflito parece ser originado por alguém com o nome de Mohammed.

Em julho de 2005, o sheik Mohammad Omran, de Melbourne, disse ao programa Sessenta Minutos que "acreditamos ter mais direitos do que vocês, visto que nós escolhemos a Austrália para ser nossa casa, e vocês não". Na mesma entrevista, o sheik Khalid Yasin advertiu não haver como um muçulmano ter um amigo que não seja muçulmano: “um não-muçulmano poderia ser sócio, mas não um amigo. Não é amigo por não compreender nossos princípios religiosos e não pode, pois não compreende nossa fé".

Apesar da mensagem ser dita repetidas vezes por estudiosos islâmicos, os países ocidentais continuam a acreditar na realidade da assimilação e do relativismo moral. Na Austrália, os cristãos libaneses assimilaram e transformam-se em uma parte respeitada da comunidade. O premier de Victoria é um cristão libanês, também o é o governador de New South Wales. Contudo, muçulmanos libaneses encontram sérios problemas, por causa de sua recusa em aceitar nosso direito de viver nosso modo de vida. Nada demonstra tão claramente que não é uma questão de raça, mas de cultura.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Educação para a paz: doutrinação para a estupidez

Não sou pacifista porque considero que ser contra as guerras é como ser contra a lei da gravidade. A agressividade, a destrutividade e a violência fazem parte da condição humana e, da mesma forma que a lei da gravidade, pertencem à natureza. Ser contra as leis da natureza, aí incluídos os seres humanos e seus grupamentos, geralmente leva a resultados piores do que aqueles que se queria evitar.
(Heitor de Paola em As falsas bases do pacifismo)

Na volta de um passeio, por uma das mais movimentadas avenidas da cidade, meu olhar perdido fixa-se nas palavras de um outdoor. Garrafais, coloridas, destacadas. A mensagem transmitida, o produto/serviço ofertado da vez é um novo curso de especialização da PUC, o Educação para a Paz. A quem interessar possa, o currículo prevê disciplinas como "Dinâmica de Grupo e Oficinas da Paz, Princípios Metodológicos da Educação para a Paz, Resolução não-violenta de conflitos, Educação em Direitos Humanos, Educação para o Desarmamento e Educação Ambiental."

Poupo o leitor do questionamento se são meus olhos que atraem coisas desse tipo, ou são essas coisas que estão por todos os lados.

Com Paulo Freire, a própria pedagogia é "oprimida", subordinada a fins alheios à sua natureza. Não existe "educação para a paz", "educação para o desenvolvimento" ou para qualquer outra coisa. A verdadeira educação é a educação tout court, sem adjetivos. O professor não deve determinar o que aluno deve fazer com o conhecimento recebido. O indivíduo livre faz o que quiser com os conhecimentos adquiridos, sem dar ouvidos a doutrinadores. A educação não tem como objetivo principal a transformação social. A educação é essencialmente a aquisição da autonomia pelo indivíduo, é um fim em si mesma, com a qual o indivíduo pode elevar-se, libertar-se: só quem é capaz de pensar por conta própria sabe o caminho a seguir; logo, só as pessoas educadas são livres.
(o amigo Marco Aurélio Antunes em seu Pedagogia do oprimido?)

O clichê do sorveteiro


Por falar em intelectuais de esquerda, eles são os culpados pelo sorveteiro que me serviu os sabores abacaxi e banana em uma das mais quentes tardes dos últimos tempos estar vestindo boné e camiseta do cliChe Guevara verdes.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Intelectual de esquerda

Intelectual de esquerda? Licença poética. Intelizmente para mim e para você, a modernidade transformou em pleonasmo.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

O tempo voa, mas não passa


Em artigo publicado no Correio do Povo em 4 de março de 2001 - há quase 5 anos, portanto - intitulado Cuba, o inferno no paraíso, o jornalista e professor de comunicação Juremir Machado da Silva compartilha fatos e vozes presenciadas durante estada no paraíso cubano. O curioso e trágico de tudo é que o narrado por ele não se alterou. Em nada. Bem, talvez os salários. Dizem que aumentaram uns trocadinhos...

Na crônica da semana passada, tentei, pela milésima vez, aderir ao comunismo. Usei todos os chavões que conhecia para justificar o projeto cubano. Não deu certo. Depois de 11 dias na ilha de Fidel Castro, entreguei de novos os pontos. O problema do socialismo é sempre o real. Está certo que as utopias são virtuais, o não-lugar, mas tanto problema com a realidade inviabiliza qualquer adesão. Volto chocado: Cuba é uma favela no paraíso caribenho.

Não fiquei trancando no mundo cinco estrelas do hotel Habana Libre. Fui para a rua. Vi, ouvi e me estarreci. Em 42 anos, Fidel construiu o inferno ao alcance de todos. Em Cuba, até os médicos são miseráveis. Ninguém pode queixar-se de discriminação. É ainda pior. Os cubanos gostam de uma fórmula cristalina: "Cuba tem 11 milhões de habitantes e 5 milhões de policiais". Um policial pode ganhar até quatro vezes mais do que um médico, cujo salário anda em torno de 15 dólares mensais. José, professor de História, e Marcela, sua companheira, moram num cortiço, no Centro de Havana, com mais dez pessoas (em outros chega a 30). Não há mais água encanada.

Calorosos e necessitados de tudo, querem ser ouvidos. José tem o dom da síntese: "Cuba é uma prisão, um cárcere especial. Aqui já se nasce prisioneiro. E a pena é perpétua. Não podemos viajar e somos vigiados em permanência. Tenho uma vida tripla: nas aulas, minto para os alunos. Faço a apologia da revolução. Fora, sei que vivo um pesadelo. Alívio é arranjar dólares com turistas". José e Marcela, Ariel e Julia, Paco e Adelaida, entre tantos com quem falamos, pedem tudo: sabão, roupas, livros, dinheiro, papel higiênico, absorventes. Como não podem entrar sozinhos nos hotéis de luxo que dominam Havana, quando convidados por turistas, não perdem tempo: enchem os bolsos de envelopes de açúcar. O sistema de livreta, pelo qual os cubanos recebem do governo uma espécie de cesta básica, garante comida para uma semana. Depois, cada um que se vire. Carne é um produto impensável.

José e Marcela, ainda assim, quiseram mostrar a casa e servir um almoço de domingo: arroz, feijão e alguns pedaços de fígado de boi. Uma festa. Culpa do embargo norte-americano? Resultado da queda do Leste Europeu? José não vacila: "Para quem tem dólares não há embargo. A crise do Leste trouxe um agravamento da situação econômica. Mas, se Cuba é uma ditadura, isso nada tem a ver com o bloqueio". Cuba tem quatro classes sociais: os altos funcionários do Estado, confortavelmente instalados em Miramar; os militares e os policiais; os empregados de hotel (que recebem gorjetas em dólar); e o povo. "Para ter um emprego num hotel é preciso ser filho de papai, ser protegido de um grande, ter influência", explica Ricardo, engenheiro que virou mecânico e gostaria de ser mensageiro nos hotéis luxuosos de redes internacionais.

Certa noite, numa roda de novos amigos, brinco que, quando visito um país problemático, o regime cai logo depois da minha saída. Respondem em uníssono: vamos te expulsar daqui agora mesmo! Pergunto por que não se rebelam, não protestam, não matam Fidel? Explicam que foram educados para o medo, vivem num Estado totalitário, não têm um líder de oposição e não saberiam atacar com pedras, à moda palestina. Prometem, no embalo das piadas, substituir todas as fotos de Che Guevara espalhadas pela ilha por uma minha se eu assassinar Fidel para eles.

Quero explicações, definições, mais luz. Resumem: "Cuba é uma ditadura". Peço demonstrações: "Aqui não existem eleições. A democracia participativa, direta, popular, é um fachada para a manipulação. Não temos campanhas eleitorais, só temos um partido, um jornal, dois canais de televisão, de propaganda, e, se fizéssemos um discurso em praça pública para criticar o governo, seríamos presos na hora".

Ricardo Alarcón aparece na televisão para dizer que o sistema eleitoral de Cuba é o mais democrático do mundo. Os telespectadores riem: "é o braço direito da ditadura. O partido indica o candidato a delegado de um distrito; cabe aos moradores do lugar confirmá-lo; a partir daí, o povo não interfere em mais nada. Os delegados confirmam os deputados; estes, o Conselho de Estado; que consagra Fidel". Mas e a educação e a saúde para todos? Ariel explica: 'temos alfabetização e profissionalização para todos, não educação. Somos formados para ler a versão oficial, não para a liberdade. A educação só existe para a consciência crítica, à qual não temos direito. O sistema de saúde é bom e garante que vivamos mais tempo para a submissão". José mostra-me as prostitutas, dá os preços e diz que ninguém as condena: "estão ajudando as famílias a sobreviver". Por uma de 15 anos, estudante e bonita, 80 dólares. Quatro velhas negras olham uma televisão em preto e branco, cuja imagem não se fixa. Tentam ver "Força de um Desejo". Uma delas justifica: "só temos a macumba (santería) e as novelas como alento. Fidel já nos tirou tudo. Tomara que nos deixe as novelas brasileiras".

Antes da partida, José exige que eu me comprometa a ter coragem de, ao chegar ao Brasil, contar a verdade que me ensinaram: em Cuba só há "rumvoltados".

********************************************************************

Esse é um relato. Relato de alguém acima de qualquer acusação de direitismo ou olavismo, uma vez que, em 2002, o autor escreveu no mesmo espaço que Lula, mesmo não tendo passado as últimas décadas em Harvard ou Sorbonne, como era seu caso, estava preparado para assumir a presidência (ou seja, Juremir é mais um brasileiro afrancesado com gosto apurado para certas bizarrices). Relato de quem visitou a Disney canhota, paraíso de lavagem cerebral a todos em forma de educação crítica a ninguém, médicos e engenheiros menos remunerados do que mensageiros de hotel exclusivos a turistas e jineteras de canudo. Relato esse cuja única alteração a ser feita é em relação ao novo salário dos médicos, em torno de US$ 20 ao mês. Pois, de resto, Havana e arredores continuam com a aparência de ter saído de uma guerra, com patrimônios históricos em ruínas. Salvo os hotéis que hospedam peStistas e hollywoodianos e alguns pontos turísticos rentáveis, bancados por el gobierno.

A decadência moral acompanha o declínio explícito e está por todos os cantos, mas as autoridades daqui e de lá, coirmãs, fingem não ver.


sábado, janeiro 07, 2006

Presente de Natal atrasado

Mais um presente de Natal foi dado a quem busca conhecimento real, não um amontoado de bobagens midiáticas ou verdades relativas universitárias: foi lançada em dvd a aula 14 da História Essencial da Filosofia do professor Olavo de Carvalho, cujo título é "Idéia versus Realidade". A editora também deu início à comercialização das anteriores em dvd: a aula 1, História das Histórias da Filosofia, já está à venda. Para maiores detalhes, clique aqui.

A seguir, como aperitivo, trecho do livro:

"Eu tinha prometido explicar um pouco melhor sobre Santo Agostinho. Havia falado apenas do cogito, comparado com o cogito cartesiano. A principal diferença entre o cogito cartesiano e o agostiniano é que, no cartesiano, quando o eu consciente chega a constatar sua própria existência, a ter a intuição patente, inegável de sua própria existência – ao menos no momento em que está pensando precisamente isto –, ele descobre que desta certeza não existe ponte para nenhuma outra referente ao mundo exterior. Ou seja: da existência do eu não se pode sequer deduzir a existência de um cosmos, quanto mais o edifício inteiro das ciências. E é a isso que Descartes pretendia ter chegado no começo.

Tendo chegado a este ponto, tendo entrado nesta jaula do ego consciente, que tem certeza absoluta de si mas não pode chegar ao conhecimento de nada mais, Descartes não vê outra saída senão apelar à fé, que é o que ele havia abandonado logo no começo. Havia prometido a si mesmo nada aceitar que não fosse demonstrável e, quando chega nesse ponto, para fazer a ponte entre o ego e o mundo exterior, apela à crença bíblica de que Deus é bom e de que, tendo criado o mundo em volta de si, Ele não ia fazer isso com o propósito malicioso de enganá-lo. Por conta da credibilidade de Deus, é aceito o mundo exterior, e então se reconstrói, partindo desses elementos meio racionais, meio de fé, o edifício das ciências.

Em Agostinho não é assim. Nele, a certeza que o cogito tem de si mesmo, em primeiro lugar, não é uma certeza completa, como em Descartes. Para Descartes, o “cogito ergo sum” é o princípio de todas as coisas, é pré-certeza inicial e auto-suficiente. Mas Agostinho observa o seguinte: “Eu sei que existo, eu sei que sou, mas não sei o que sou, ou seja, conheço a minha existência, mas não a minha consistência ou essência, e muito menos conheço o porquê desta existência”. Quer dizer: eu sei que sou, mas não sei o que sou e muito menos o porquê sou. Não obstante, esta certeza – de que eu sei que sou e de que não sei o que sou nem o porquê sou – faz que esse ego agostiniano tenha uma estrutura problemática. Ele não é transparente como o ego cartesiano; carrega em si um forte elemento de mistério, que é um componente interno. Como esse ego sabe que é, mas não sabe o que é nem o porquê é, ele também sabe que ele mesmo não é fundamento de si próprio, pois se descobre como existente, a partir de um certo momento, sem ter tido a menor idéia de onde veio. Então ele sabe que não é autor ou causa de si mesmo.

Nessa estrutura do ego, tal como o vê Agostinho, existe um choque entre uma parte que é auto-evidente e outra parte que é totalmente misteriosa e que requer a presença de uma causa desconhecida. Mas esta causa desconhecida não é interna, pois o mistério da causa do eu faz parte de sua própria estrutura: onde quer que um ser humano descubra que existe, que tome consciência de que existe, ele, na mesma hora, toma consciência do seu caráter problemático e de certo modo incompleto. Ele sabe que aquilo que sabe não é o todo do que ele é. Carrega dentro de si o mistério de sua causa, mas esse mistério é um componente seu, não é uma coisa externa. Isto significa que a pista para Deus, em Agostinho, não é um simples apelo a um elemento externo. A conexão entre o eu e Deus não é externa e mecânica, como no caso de René Descartes. Agostinho chegará a esse Deus mais ou menos por aquela via que, no século XX, será resumida por Paul Claudel, que diz: “Deus é aquele que em mim é mais eu do que eu mesmo, ou seja, é minha verdadeira consistência e a minha verdadeira natureza, a minha verdadeira origem, que subsiste dentro de mim, permanece dentro de mim como um mistério”. Desse ego Agostinho vai tirar ainda umas outras coisas. Ele percebe que, como um componente desse mesmo ego consciente, existe o conhecimento de certas idéias eternas, como, por exemplo, o princípio de identidade ou os princípios da aritmética elementar e da geometria. Sabe-se que um é igual a um e que um mais um é igual a dois, e também se sabe que essas idéias são independentes da existência temporal. Elas são de certo modo eternas e incondicionadas, ou seja, transcendem infinitamente o modo de existência do próprio eu.

O eu consciente sabe que é temporal, sabe que é mortal, sabe que tem uma forma de existência contingente e, ao mesmo tempo, carrega dentro de si não somente o mistério de sua origem, mas também esses conhecimentos que, não estando condicionados à forma de existência temporal do próprio ego, só podem ter origem nesse mesmo mistério de sua origem. O homem sabe coisas que ele, por si, como ser temporal, não poderia saber, e ao mesmo tempo sabe que o que ele sabe de si mesmo está condicionado à sua existência empírica temporal. De onde ele tirou essas idéias eternas? Só pode ser da parte desconhecida, e essa parte desconhecida também não é totalmente desconhecida, porque algo de Eternidade se conhece.

[Aluno: Você pode dar alguns exemplos dessas coisas que não teriam como ser conhecidas apenas por suas existências temporais?]

Todos os princípios da lógica, o princípio de identidade, o princípio de não-contradição, o princípio do terceiro excluso. Como é que se consegue compreender a aritmética elementar? Se não se souber que um número é ele mesmo, ou que uma coisa é ela mesma, não se consegue fazer nenhum raciocínio aritmético, nem o primeiro, nem o mais elementar deles.

[Aluno: E isso não tem como ser compreendido na própria existência temporal?]

Não, porque não se encontrará nada na existência temporal que permaneça exatamente como é. Tudo na existência temporal é uma mistura de ser e de não-ser. O que é a transformação temporal? São coisas que não existiam e que passam a existir, e outras que existiam e passam a inexistir. E tudo o que você vê em torno, absolutamente tudo, é assim; você não encontra uma coisa que tenha entrado na existência no primeiro dia e que continue lá imutavelmente a mesma. Isto significa que, na esfera temporal, você só tem experiência de dados temporais; no entanto, não conseguiria nem apreender os primeiros elementos de aritmética se não tivesse a idéia da identidade. De onde você a tirou?

[Aluno: Não poderia nem perceber que as coisas mudam, pois não seria possível perceber que elas são as mesmas.]

Não seria sequer possível perceber que as coisas mudam. Você estaria dentro do processo como um animal, sem ter este recuo tipicamente humano. Por exemplo, o fato de o homem pensar sobre a morte: muitos anos antes ele já está pensando nela, porque já sabe o que vai acontecer. Isto, sem um recuo em relação ao fluxo temporal, você não consegueria fazer. Viveria dentro do fluxo, mas não o perceberia como tal. Para percebê-lo, é preciso que, de certo modo, você o detenha, coloque-se fora dele hipoteticamente, imaginariamente. Por que é que você consegue fazer isto? É porque tem alguma idéia de que existem verdades independentes de tempo. [Aluno: A própria consciência também é algo assim, não é? Você ter consciência de si mesmo, também acho que vem de outro...] Você não poderia ter consciência de si mesmo no sentido humano, evidentemente, sem isto. Significa que ele percebe que o princípio de identidade é um dos fundamentos do próprio cogito, coisa que Descartes nem de longe percebe.

[Aluno: Mas em outros animais também se diz que eles apreendem o princípio de identidade. Por exemplo, tenho um cachorro que me reconhece toda vez que eu volto para casa. Isso é porque ele sabe que eu sou o mesmo que era quando saí.]

Pois é, mas reconhecer a identidade dos objetos é uma coisa, reconhecer a permanência do princípio é outra completamente diferente. Veja, a apresentação dos fenômenos sob o aspecto “do mesmo” ou “do outro”, para um animal, isso é pura contingência. Se a coisa se apresentou com o mesmo aspecto ou com outro, isto faz parte do processo do mesmo modo. Você perceber que por trás de todo o fluxo temporal existe um negócio chamado identidade, isso é outra coisa completamente diferente.

[Aluno: Mas eu vi que existem algumas pesquisas com animais mais inteligentes, que conseguem perceber conceitos mais abstratos, como os números (não em grandes quantidades, mas até sete, até oito, por aí), que formam...]

Não. Perceber número também faz parte do fluxo, porque o número é o próprio fluxo, a contagem é o próprio fluxo. O que ele não vai conseguir é fazer conta, pois na base do cálculo está um negócio chamado identidade. Toda conta que você faz tem um resultado que se chama “igual”: esta quantidade aqui é a mesma que aquela, embora não pareça. Isto é impossível de um animal perceber.

[Aluno: Então o animal pára na contagem, e o ser humano vai além?]

Ele pára na constatação empírica de identidades, sem perceber que existe a própria identidade como um elemento estruturante desse conjunto. Isto significa que conseguimos negar o fluxo temporal, conseguimos saber que ele não é tudo. E como é que sabemos que sempre soubemos disso? Um indício é o seguinte: jamais se encontrará uma civilização, por mais primitiva que seja, por mais bárbara, por mais ignorante que seja, que não tenha um rito qualquer de sepultamento dos mortos. Isto indica claramente a idéia de uma permanência por trás do fluxo.

Provavelmente, a percepção consciente da identidade é a base da própria existência humana. Já explicamos sobre aquelas culturas de tipo cosmológico como fenômenos que emergiam da busca de permanência por trás do fluxo. O que nos faz, por exemplo, observar um ciclo lunar inteiro? Não é a idéia de percebermos por trás do fluxo uma repetição e de podermos usá-lo conscientemente? Note que o homem não faz isso como os animais. O animal, quando tem um comportamento cíclico, ele simplesmente está dentro do ciclo, acompanha o ciclo da natureza fielmente... Ele pode acompanhá-lo ou não. O homem é o contrário, em vez de acompanhá-lo, pretende vencê-lo, criando situações estáveis no meio de um clima instável, por exemplo. Na medida em que procura colocar sobre o meio natural uma ordem abstrata que não está na própria natureza – embora possa ter sido inspirada até nela mesma –, ele está se colocando fora e acima desse ciclo, e isto tudo já pressupõe o conceito de identidade, de Eternidade, de permanência, etc."

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Cinema: dados e recados

Quem me conhece sabe que uma das minhas paixões é o cinema, que defino como meu saudável e único vício. Mesmo assim, escrevi quase nada sobre o assunto nesse mais de meio ano de vida blogueira, com exceção de um post sobre o ótimo Batman Begins.

A quem me conhece apenas virtualmente, aviso que sou daquelas cinéfilas que anotam o título de todos os filmes vistos a cada ano desde 2003. É interessante destacar, olhando minhas “estatísticas cinematográficas” (chique, não?), que o ano em que vi mais filmes foi justamente 2005: 175 no total, sendo apenas 26 na telona, cujo recorde ocorreu em 2004, com 47 filmes entre 117. E o que esse decréscimo significa, se sempre fui uma entusiasta das impressões diferenciadas obtidas durante a projeção no escurinho do cinema? Como se não bastassem alterações na rotina a partir do segundo semestre (a faculdade atrapalhando minha vida cinematográfica ao dificultar eventuais escapulidas, com todos os professores atribuindo notas vindas do número de presenças) e correrias da vida de estagiária, 2005 não foi um dos melhores períodos para a sétima arte, tanto que só lamento não ter conseguido ver o A Luta pela Esperança. Os demais que esperem a tv.

No entanto, sempre há algo de bom: entre os destaques, nada de muita estética e pouca ética de um Sin City (a crítica aclamou, os mesmos que condenaram a "violência excessiva" de A Paixão de Cristo), a "alegria" de Alexandre, a péssima continuação de O Chamado, o islâmico Cruzada ou os cansativos Guerra dos Mundos e O Aviador, e sim ficam a cargo de Menina de Ouro, A Queda, Herói e o já citado Batman. E não, não vi Os 2 Filhos de Francisco, nem em cópia pirata.

Sim, poucas recomendações, situação não tão distinta à do ano anterior, no qual tivemos Cold Mountain, Terra dos Sonhos (não deixe de ler a comparação feita no A Elegância Vai ao Cinema com Encontros e Desencontros), o próprio Paixão de Cristo, Kill Bill, principalmente o Vol.2, e Homem-aranha 2, descontadas bombas como Tróia, O Dia Depois de Amanhã e o porcumentário do mais eficiente garoto-propaganda republicano, Michael Moore, que tenta vender mentiras em forma de investigação em produtos para a geração cultivada a videoclipes da MTV.

Aproveitando o período de férias totais, o primeiro filme do ano no cinema foi King Kong, o qual relutei em assistir quando lançado, priorizando Shakespeare e seu Mercador de Veneza e As crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis, ideal para a época de Natal. Se você não for anticristão, é claro. Além da concorrência, havia uma certa má vontade minha com o macacão, já que guardo trauma de outro filme com símios em destaque e imaginava tratar-se de uma superprodução que mostraria o gorila como dono da masculinidade perdida em meio a mocinhos nada heróicos e idiotas.

O filme mostra-nos uma personagem precisamente assim, o ator canastrão egocêntrico, mas devidamente ridicularizado e servindo de alívio cômico, o que não ocorre com o pretendente humano da protagonista, retratado como tímido, porém corajoso. Pois fui surpreendida e afirmo que não me divertia tanto desde a trilogia de O Senhor dos Anéis, por coincidência também de Peter Jackson. Obviamente não os comparo em matéria de simbolismo e riqueza narrativa, mas é inegável que King Kong é entretenimento dos bons: as seqüências na Ilha da Caveira, habitat de Kong, dinossauros e toda sorte de insetos gigantescos, têm capricho técnico em cenas de ação ininterruptas e sabor de despretenciosa matinê dos anos 30, época do lançamento da primeira versão.

*************************************
No post de ontem, sugeri que Lula participasse do carnaval e lançasse candidatura a rei Momo, a realeza a que teria direito. Não é que ele está prestes a entrar no enredo de uma escola de samba do Rio? Escola do grupo de acesso, é verdade, mas não desmerece o brilho da homenagem: Lula lidera pesquisa que a escola Renascer de Jacarepagua está realizando via e-mail contatos@gresrenascer.com.br para descobrir qual personalidade nacional merece lugar... no inferno! Até agora, apenas Garotinho ameaça roubar o lugar do presidente ao lado do capeta. Páreo duro. (Notícia publicada ontem no Globo Online)

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Um dia qualquer


Ontem. Uma terça-feira comum, sem acontecimentos notáveis, certo? Certíssimo. E essa impressão é reforçada pelos episódios a seguir, nenhum deles vindo a alterar qualquer percepção da realidade. De quem a conhece verdadeiramente, é claro. Ok, você pergunta: se não são episódios dignos de nota, por que estão aqui? Respondo que serão expostos para ilustrar o quanto de anormalidade dias normais têm.

Vejamos: Eduardo Suplicy, que tem clara dificuldade em completar raciocínios, revela ao jornalista Lasier Martins que talvez Lula não concorra à reeleição e abra caminho para bois de piranha do porte de Palocci, Vilma, Tarso, Olívio Dutra (alguém sabe, alguém viu?) e a ele próprio, ex ex - excelentíssimo ex - marido de Martaxa. Ai, será que o Molusco não nos dará o gostinho sem igual de vê-lo derrotado na corrida presidencial pela quarta vez? O melhor da declaração suplícia foi que Lula pode ser poupado esse ano para voltar a concorrer em 2010, com mais “experiência e maturidade”, ou seja, do alto de 65 anos muito bem vividos, principalmente após a plena execução do projeto pessoal Fome Zero. E põe Fome Zero mesmo. Minha sugestão é que Lula, tão receoso em perder a eleição, candidate-se a rei Momo. Afinal, o carnaval está quase aí, o país, que já pára na ocasião, ainda ficaria lisonjeado em ver um presidente atuante e sua barriga cultivada nem um pouco artificialmente, além de tratar-se de uma disputa inédita para ele. Por que não? Duda Mendonça, abre teu olho com a marketeira aqui!

Outro fato muito desinteressante do dia de ontem foram as declarações dadas por Mario Vargas Llosa em relação à política da AL, como que o avanço da esquerda no continente não incorrerá em retrocessos até regimes antidemocráticos, e sim concede espaço a novas correntes que respeitam as liberdades e o jogo democrático, além de ver o quadro da região cada vez mais canhota com muito “otimismo”. Bom, eu só digo que ele peca muito como intelectual “de direita” por fechar os olhos ao fato de esquerdistas não respeitarem coisa alguma, nem aqui, nem na China (literalmente).

É, nada além de um dia qualquer e suas trivialidades.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Status ontológico da mentira


Penso que o status ontológico da mentira foi observado pelo psiquiatra e psicanalista britânico Wilfred Bion quando afirmou que "a verdade não precisa de um pensador que a pense - ela pré-existe e transcende o pensador, o qual adquire significação ao pensá-la. A mentira, no entanto, só existe em função de ser pensada (inventada) por alguém, (...) A verdade pertence a um sistema transcendente e como tal, ameaça irromper como algo estranho e ameaçador (...) já a mentira é vista - e é - como criação própria", conferindo ao mentiroso um sentimento de onipotência e onisciência. (The Lie and the Thinker, in Attention and Interpretation, Tavistock Publications, London).

Heitor de Paola em A essência do comunismo.

domingo, janeiro 01, 2006

Ano Novo?

Como contraponto à euforia de Drummond com passagens de ano, segue artigo de Gustavo Corção:

"À meia-noite do dia 31 acordei sobressaltado com o foguetório que festejava, a seu modo grosso e ruidoso, o nascimento da coisa nenhuma que se dá o nome de Ano Novo. Confesso que meu primeiro sentimento foi o de uma justíssima irritação, mas logo sobreveio um segundo sentimento de admiração diante de tão comovente e estúpida obstinação. Quê? Então ainda esperam alguma coisa das folhinhas e das órbitas planetárias? Ou inventaram mais uma vez um modo de fingir que inventaram? Porque na verdade fingidor não é só o poeta, nem é ele que quase merece este título como definição de seu absurdo modo de ser, não; fingidor é o mundo inteiro. Finge tão ruidosamente que chega a fingir que espera do Ano Novo o que ainda já dos dias só desespera. Pobre gente.

Naquela meia-noite de 31, acordado pelo ruidoso foguetório, pensei no planeta que, nos seus trinta quilômetros por segundo (se não me trai a memória aposentada do astrônomo que não cheguei a ser) acabava de traçar seu arco habitual de eclipse onde só existe marca ou sinal de estremecimento na cabeça dos homens. Nada é mais uniforme, mais liso, mais plácido, mais impávido do que as órbitas dos astros. Em torno da forma delas e sobretudo de suas inter-relações houve muita querela de que nunca participaram o sol, os planetas e as estrelas distantes, porque essas sonolentas criaturas mal acordadas do nada, ex nihilo, nada sabem dizer de si mesmas, de suas excelências e de suas prevalências. Mal sabem balbuciar seus nomes sendo o que são. Imagino o espanto de Messer frate il Sole se lhe fossemos dizer que ele tinha sido nomeado por Copérnico, ou por seus maus discípulos, centro imóvel em torno do qual descreviam os planetas suas insípidas órbitas circulares. E, se o astro-rei tivesse mais apurada capacidade de se espantar, imagino sua apiedada estupefação quando lhe dissessem que aquela demarcação trouxera aos homens da Renascença uma euforia maior do que a dos pobres 31 de dezembro convencionais e fatigados.

Na minha infância, alegremente astronômica, aprendi com o bom Flammarion que o sistema planetário, guiado pelo sol, não fechava suas elipses, não voltava jamais ao ponto de partida: num cortejo que hoje me parece sinistro, despencávamos todos na direção da constelação de Hércules. Hoje sabemos que é tão acertado ou tão estúpido dizer que o sol anda ao redor da terra como dizer que é a terra que gira ao redor do sol. Na física pós-einsteineana não há referenciais absolutos no universo. Quem quiser pensar em centro, ou em ponto referencial, terá que procurar fora e acima da física outra linguagem: a do senso-comum e a da mais apurada filosofia: em ambas eu volto a dizer que o centro é o observador e portanto é ainda aqui mesmo, e não no sol, que podemos fazer alguma demarcação sensata. A própria constelação de Hércules deixou de ser o objetivo, ou a estação para a qual nos dirigimos porque, a rigor, esse conjunto de estrelas a que associaram o nome mitológico de Hércules só existe por invenção nossa, e só existe enquanto, apesar do caminho já feito, ainda permanece praticamente constante a figura do conjunto estelar. Quando lá no meio delas nós chegarmos, veremos que as Alfa, Beta, Gama etc. debandaram, e que o Hércules do céu evaporou-se em todas as direções.

Volto a admirar a tenacidade com que a humanidade inventa suas demarcações, como esta sucessão dos anos e a outra dos séculos. Já não diria o mesmo da demarcação das horas que mais diretamente nos é imposta pela natureza das coisas.

Nesta estação do ano durmo com a janela aberta, e quando o despertador às seis horas me acorda, a primeira coisa que me surpreende, ou que me agride, é aquele retângulo lívido a me dizer um bom-dia que soa como um escárnio. Estremunhado, pergunto ao monstro: — Estou vivo?

Cada manhã acordo como um sobrevivente... E aqui me acode a lembrança de Rubem Braga, nosso gracioso cronista que desapareceu. Terá emigrado para Marte? Creio que seu gênero mais se inclinaria por Vênus do que pelo rubro Mavorte dos guerreiros.

Sento-me na cama olhando os meus pés sem nenhuma admiração, apesar do incitamento do profeta que clama: “Como são belos os pés dos que anunciaram pelos montes a vinda do Senhor...” Isaías? Creio que sim, mas agora a memória me salta para Dimitri Karamazov, preso sob suspeita de parricídio, e para maior de suas desgraças, sentado na cama, vê que tem os pés nus — e no espetáculo miserável dos artelhos dados em espetáculo do mundo, Dimitri sente tamanha humilhação que logo, para todos os policiais presentes, se transforma em evidência de culpa. Agora é um verso de Guerra Junqueiro que emerge de minha adolescência. O piedoso autor de A Velhice do Padre Eterno, devendo pagar os dízimos da estupidez da época, não podia ficar omisso à injustiça social: descreve o despertar do lavrador como um coice do monstro que em outro contexto será docemente chamado “rosicler da aurora”. Mas esse rosicler é um luxo capitalista. O lavrador é sacudido da enxerga nestes termos:

“Levanta-te, animal! Tens fome e não tens pão”.

Quando meu desgosto de acordar se prolonga, e sobretudo quando me chegam aos ouvidos os rumores dos “sete deveres de estado” de que me queixei a Manuel Bandeira — but that’s another story — costumo me sacudir com o alexandrino de Guerra Junqueiro: “Levanta-te, animal! Tens fome e não tens pão”. Na verdade não preciso trabalhar para o pão já que mais sofro de inapetência do que de fome, mas tenho carro e preciso pagar a gasolina no preço em que está para que os reis da Arábia tenham mil mulheres e automóveis de ouro — coisas que me irritam mas não me trazem a mais tênue inveja.

No dia 1° de janeiro acordei assim cercado e disposto a continuar a caminhada que neste dia começa meu octogésimo ano. Neste ponto perdi a vista e a possibilidade do gosto da leitura, mas os pés conservam a mesma disposição de me levar pelos vales e montes no serviço do Senhor. Vão calçados, e assim pode ser que não desmintam a profecia. Chego assim a este ponto da vida “comme un vieux mouton qui a perdu sa laine aux ronces du chemin”. Como Mauriac, sinto-me levado dia a dia, pouco a pouco, até a hora em que Deus me quiser arrematar por inteiro. No regaço da Mãe da Misericórdia, ensaio não sei quantas vezes por dia o que devo dizer naquela hora: — Eis aqui o servo do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa Palavra."

O Globo, 8/1/1976

noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)