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Uma despedida

Meu bom amigo Eduardo Levy decidiu colocar ponto final em seu blog - O Óbvio Ululante - e dar um tempo na política, pondo em prática o que planejara há tempos, “não saber sequer quem é o presidente”. Afinal, revoluções acontecem, povos surgem, atingem seu apogeu e são dizimados, ou seja, tempos de barbárie são inevitáveis. Ele concluiu que nada disso tem tanta importância quanto as alterações da alma.

Como a esquerda venceu em tudo, já que, ao enfrentá-la, estaríamos rebaixando-nos ao nível dela, politizando tudo também em vez de preocupar-nos com coisas mais importantes, Eduardo afirma que lhe surgiu a possibilidade de escolha entre ser investigador ou militante. Escolheu a primeira.

Eduardo também justifica seu afastamento com a introdução feita pelo Olavo de Carvalho aos Ensaios Reunidos do Carpeaux, que o marcou profundamente. Para ele, ter lido sobre a decadência intelectual daquele homem de inteligência sobrenatural por ter passado a dedicar-se à política quase o leva às lágrimas.

Pretensão? Até pode ser, mas ele considera a política muito pouco para si, no que devemos concordar. Mais uma vez, cita Olavo, no brilhante Reparando uma injustiça pessoal: "Um dos grandes teóricos da política no século XX foi Carl Schmitt. Ele se perguntou qual a essência da política, o que distingue a política de outras atividades, o que distingue a política da moral, do direito, da economia, etc. E ele diz o seguinte: quando um conflito entre facções não pode ser arbitrado racionalmente pela análise do conteúdo dos conceitos em jogo e quando, portanto, o conflito se torna apenas confronto nu e cru de um grupo de amigos contra um grupo de inimigos, isto se chama Política. Ora, é fácil você compreender que nesse sentido a definição de Schmitt inverte a definição de Clausewitz que diz que a guerra é uma continuação da política por outros meios. Schmitt descobriu, muito mais realisticamente, que a política é uma continuação da guerra par outros meios. Ora, durante toda a história humana existiu política mas havia outras dimensões e outras atividades que eram consideradas mais importantes. A religião era uma delas, mesmo os governantes se ocupavam mais de religião que de política. No século XIX, um homem chamado Napoleão Bonaparte descobre uma coisa terrível: a política, diz ele, é o destino inevitável dos tempos modernos. Tudo vai virar política e os homens não se ocuparão senão de política. Ele descobre a politização geral de tudo. E o que significa a politização geral? Significa que todos os conflitos já não poderão mais ser arbitrados pela análise dos conteúdos dos termos em questão, mas serão resolvidos sempre por um confronto de forças entre o grupo dos amigos e o grupo dos inimigos".

Eduardo, jovem e inteligente, tomou a decisão de deixar a política pura e simples a lesados, a Marxilenas. No entanto, mesmo abandonando a praga do mundo moderno prevista por Napoleão, ele continuará em um ringue. Eternamente. Um não, em vários, entre os que buscam a Verdade maior e os defensores da efemeridade, entre essência e aparência, cultura elevada e "orgânica", religiosos X ateus e agnósticos.

Em outras palavras, vejo o principal incentivador para que eu tivesse esse blog despedir-se do mundo virtual, nós perdermos artigos de qualidade, que transitavam naturalmente entre o pessoal e o universal, e ele ganhar ao considerar em sua vida a máxima "quereis fugir da baixa atualidade? Refugia-te no que nunca teve atualidade".

Enquanto escrevo essa homenagem ao meu amigo e considero sua decisão madura e acertada, ele segue seu planejamento e lê o que encontra sobre Fernando Pessoa, deparando-se com a seguinte frase no prefácio do Livro do Desassossego: "Este culto da Humanidade, com seus ritos de Liberdade e Igualdade, pareceu-me sempre uma revivescência dos cultos antigos, em que animais eram como deuses, ou os deuses tinham cabeça de animais".

noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)