quarta-feira, novembro 30, 2005

A nova secretária de segurança e algumas bengaladas


Em um bairro pobre de Porto Alegre, uma mulher havia testemunhado uma tentativa de abuso sexual de um depravado sobre uma menininha. Apavorada, avisou a mãe da criança, que não tomou providência alguma. Então, a cidadã decidiu pedir à criatura que abandone a região, senão ela iria denunciá-lo à polícia. Sem o menor abalo pela ameaça, o monstro passou a chantageá-la, exigindo a quantia de R$ 150.000 para deixar de lado suas perversões e ir embora. Ela, então, pagou um terço disso, na esperança de convencê-lo. O crápula não aceitou, continuou ameaçando a menina e a ela e pedindo dinheiro. Sabe o que a mulher fez? Pegou uma faca e operou o abdômen de mais uma pobre vítima da desigualdade social e conseqüente falta de oportunidades brasileira. Para mim, não restam dúvidas: surgiu a nova secretária de segurança do Estado.

Já em Brasília, um escritor infanto-juvenil de 67 anos, Yves Hublet, famoso pela trilogia “Planeta Água”, “Artes e Manhas do Mico-Leão” e “A Grande Guerra de Dona Baleia”, realizou o sonho de muitos brasileiros, entre os quais me incluo: agredir, nem que seja a bengaladas, o boneco de Olinda (impassível e cabeçudo) que atende pelo nome de Joseph Dirceu, como também Daniel, Lalá, Lelé, Lili e sei lá mais o quê. Estou de alma lavada. Bem, ao menos por um dia.

domingo, novembro 27, 2005

Pioneirismo e arrependimento


Jane Roe, nome fictício de Norma McCorvey, foi a primeira norte-americana a ganhar o direito de abortar. Depois da sentença, passou 30 anos militando à frente de campanhas pró-aborto. Todavia, Norma está hoje profundamente arrependida e trabalha para que o aborto volte a ser considerado crime nos EUA: “Foi lamentável o dia em que o Supremo Tribunal americano permitiu que as mulheres assassinassem os seus filhos”.

Em 22 de janeiro de 1973, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos concedeu o direito de abortar a Jane Roe, nome fictício usado para proteger Norma McCorvey, uma jovem de 20 anos nascida em Dallas. Norma era solteira, pobre, maltratada e viciada em drogas. O Texas então era um dos estados que puniam a mulher que abortasse com até cinco anos de prisão. Embora a jovem não tivesse podido abortar na ocasião, devido à demora no veredicto, o caso “Roe vs. Wade” acabou estendendo ao país inteiro o direito ao aborto.

Trinta anos depois, Norma McCorvey, agora com 55 anos, engajou-se no movimento pró-vida e renega todo o seu passado; converteu-se ao catolicismo e fundou um grupo pró-vida chamado Roe no more (“Roe nunca mais”). (Em 2003, este grupo passou a chamar-se Crossing-over, “Travessia”, N. do T.). “Tudo mudou quando me converti ao cristianismo”, explica Norma numa entrevista concedida pelo telefone. Devagar e com a voz cansada, ela fala na sua associação em Dallas.

– Por que motivo abandonou a causa que vinha defendendo durante vinte anos?
– Simplesmente compreendi que não podemos pegar e tirar a vida de uma criança, e isso não apenas para nós, que cremos em Deus. Na primeira vez em que fui à igreja, num sábado à noite, estava acompanhada de duas garotas pequenas, e senti que devia pertencer àquela comunidade e renegar tudo.
– Você se arrepende de tudo o que fez?
– Por sorte, não cheguei a abortar. Hoje aconselho mulheres desesperadas. A minha missão na vida é ajudá-las e evitar que abortem.
– Você não admite o direito ao aborto em nenhuma hipótese, nem em casos de estupro ou perigo para a vida da mulher?
– Não, não há nenhuma diferença. Continua a ser um assassinato, de um jeito ou de outro.

McCorvey permaneceu no anonimato por dezessete anos. Após o desfecho do caso, deu o filho para adoção e tentou seguir em frente. Era uma heroína para os grupos pró-aborto e um símbolo da degradação do país para a frente pró-vida.

Norma só revelou que tinha sido Jane Roe nos anos 80, quando escreveu um livro e passou a dedicar-se ativamente à defesa dos direitos que havia conquistado para todas as americanas, chegando mesmo a trabalhar como conselheira em clínicas de aborto. Ainda hoje guarda lembranças dessa época, em que pôde presenciar “a natureza aterrorizante do aborto e devastação que causa nas garotas e nas mulheres”.

Nessa época, conta agora, tentou suicidar-se várias vezes e, por ter na consciência o peso de ter sido responsável pela “perda de tantas vidas”, recorreu às drogas.

Em 1995, Norma deu uma guinada radical na sua vida, surpreendendo ativistas de ambas as partes. Batizou-se e uniu-se a um grupo cristão pró-vida chamado Operação Resgate. Conhecera-os quando a associação abrira um escritório bem ao lado da clínica onde trabalhava. Um sacerdote mudou a sua vida, e ela decidiu renunciar a tudo quanto havia sido nas últimas quatro décadas.

LESBIANISMO

Renunciou inclusive ao lesbianismo. Norma havia vivido com Connie Gonzales durante trinta anos quando ambas se converteram ao catolicismo. Continuam amigas e compartilham a profissão, mas Norma agora reconhece que a homossexualidade é um pecado.

Connie acompanha de perto todos os movimentos de Norma; é a sua sombra. Protege-a da imprensa, das críticas e do que mais for preciso. Filtra as suas ligações e vive basicamente para ela. Tem posições tão firmes quanto as de Norma. “Quando aconteceu o que aconteceu, não existiam grupos como nós que ajudassem as mulheres”, explica Connie.
Segundo ela, Norma caiu nas garras das advogadas abortistas porque não houve médicos ou ativistas para lhe dar apoio. “Agora, neste país, todos cuidam das mulheres, as pessoas importam-se com elas e defendem a vida. Não sei como é no resto do mundo”, conclui Connie em tom cético. “Sou ex-lésbica, ex-abortista, ex-Jane Roe”, disse Norma num documentário. “Sou uma ex-tudo; parece que quanto mais cresço, mais “ex” fico”.

Para justificar os seus anos de ativismo abortista, assegura que foi manipulada por “advogadas ambiciosas” que usaram uma moça desesperada para tornarem-se famosas e atingir os seus objetivos, abandonando-a em seguida.

Era o ano de 1969. Ela estava só, havia abandonado os estudos e dado os filhos para a adoção. As advogadas Sarah Weddington e Linda Coffee convenceram-na a denunciar o fiscal de Dallas Henry Wade e a lutar pelo seu direito de abortar no Texas. Assim nasceu o caso Roe vs. Wade, que foi, de acordo com Norma, um cúmulo de mentiras. Para que a Justiça fosse mais rápida, disse às advogadas que fora violentada. Mais tarde, numa entrevista à televisão por ocasião dos 25 anos da sentença, confessou a farsa: a sua gravidez tinha sido fruto de “uma simples aventura”.

Começou a sentir certa aversão pelas campanhas abortistas e pela clínica no início dos anos 90; não suportava a pressão de todas as mulheres que a procuravam para lhe agradecer porque tinham podido abortar. Quando começou a trabalhar com o grupo católico, toda a sua vida até aquele momento apareceu-lhe como um erro. “Ela caiu do cartaz com o símbolo do aborto diretamente nos braços de Deus”, diz o texto da página do seu movimento pró-vida. Assim, Norma converteu-se em porta-voz da sua causa e publicou um novo livro contrário ao aborto já desde a capa: Won by Love (“Vencida pelo amor”).

ANIVERSÁRIO

Há sete anos, em 22 de janeiro, dia do aniversário da decisão, Norma declarou ao subcomitê constitucional dirigido por John Ashcroft, pró-vida e então senador, que recolhia testemunhos para combater a decisão do Supremo Tribunal. “Este é o aniversário de uma tragédia”, disse o senador. “Perdemos 37 milhões de crianças que nunca conhecerão o calor do abraço de um pai ou a força do carinho de uma mãe”.

Em 14.01.2005, ela entrou formalmente com uma petição no Supremo Tribunal para pedir a reversão da sentença do caso Roe vs. Wade, apresentando o testemunho legítimo de mais de mil mulheres abaladas psicologicamente pelo aborto e 5.300 páginas de evidências médicas.

McCorvey ainda não obteve resposta à sua petição. Diz que, se o Tribunal não quiser reverter a decisão, deverá ao menos julgar o mérito do caso. “Agora que conhecemos muito mais o assunto, suplico ao Tribunal que ouça as testemunhas e reavalie o caso Roe vs. Wade”.

Norma McCorvey não é a única que mudou. Os porta-vozes das associações abortistas dizem estar perdendo a batalha, embora, segundo pesquisas, a maioria dos americanos não queira voltar atrás na lei. Uma sentença invalidando o direito ao aborto em escala nacional está cada vez mais perto.

As pesquisas sobre a aceitação popular do aborto variam entre 60% de aprovação, segundo o NARAL, um grupo abortista, e 46%, conforme estudo publicado em 2003 pela revista The Economist na sua radiografia das atitudes americanas.

Raimundo Rojas, porta-voz do National Right to Life Comitee (“Comitê nacional pelo direito à vida”), organização pró-vida com mais de 3.000 escritórios no país, assegura que “em alguns anos a situação pode mudar; o povo e os políticos estão conosco e a tecnologia permite ver fotografias do feto, deixando sua humanidade mais próxima de nós”.

Norma reza a cada ano para que o próximo aniversário da sentença não chegue e, ao que parece, restam apenas uns poucos pela frente.

Fonte: Quadrante - Sociedade de Publicações Culturais

Imortal tricolor


Uma pausa, eu peço. Ou melhor, obrigo-me a esquecer todas as dores do mundo a partir do reforço do meu último traço de brasilidade, devido à maior demonstração de raça já vista em um campo de futebol, no jogo mais emocionante que o meu Grêmio de tantas conquistas sofridas disputou em sua história. Com quatro jogadores a menos, ele fez o que parecia impossível àquela altura: conseguiu a vitória, voltou com a classificação e com o título da série B. Por sinal, o único que faltava em nossa coleção.

Render-se jamais, esse é o legado do meu clube do coração.

Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver


Cinqüenta anos* de glória
Tens imortal tricolor
Os feitos da tua história
Canta o Rio Grande com amor

Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

Nós, como bons torcedores
Sem hesitarmos sequer
Aplaudiremos o Grêmio
Aonde o Grêmio estiver

Até a pé nós iremos

Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

Lara, o craque imortal

Soube o teu nome elevar
Hoje com o mesmo ideal
Nós saberemos te honrar

Até a pé nós iremos

Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver


Lupicínio Rodrigues, 1953*

quarta-feira, novembro 23, 2005

Vox populi, vox Dei?


Como diz o ditado, “A voz do povo é a voz de Deus”, certo? Pois nada mais errado. Aliás, essa deve ser uma das mais mal citadas frases de toda a história, uma vez que o autor queria expressar o contrário do sentido que hoje lhe é atribuído. Até onde se tem conhecimento, o primeiro a empregá-la foi o teólogo britânico Alcuíno (735-804), em uma carta na qual dava conselhos a Carlos Magno: "Não devem ser ouvidos os que costumam dizer que a voz do povo é a voz de Deus, pois a impetuosidade do vulgo está sempre próxima da insânia". Alcuíno não exagerou, muito antes pelo contrário, tanto que se ouve que cada um tem a sua verdade e deve ser respeitado por isso, tudo pelo povo e para o povo (ainda que esse desconheça em que barca o estão colocando). Crê-se que todos e, por conseqüência, nenhum dos caminhos levam a Deus, vide a busca por arremedos espirituais e pseudofilosóficos, Paulos Coelhos, ou a própria mensagem do Evangelho, transmitida de forma distorcida pelos cristãos (ver excelente ensaio sobre o assunto, intitulado A mente de Cristo, de autoria da amiga Norma Braga). Para a sociedade moderna, a única voz que não leva a Deus é a Dele mesmo.

Jesus foi muito indagado pelos discípulos. Uma das questões, qual o caminho a tomar para a plena realização espiritual e a eternização da alma, recebeu Dele a seguinte resposta: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim”. (Jo 14.6) O Mestre não disse que havia atalhos, tampouco deixou exceções. O que importa é que se opte pelo caminho certo: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. (Jo 8.32)

Em que ponto quero chegar, você deve estar se perguntando. Explico: recebi a visita de um mestre-de-obras, em virtude da reforma do banheiro de casa. Um trabalhador honesto, um "cidadão de bem", segundo o politicamente correto way of speaking, cujo defeito, até então, era ser torcedor do Internacional: ao comentar a rodada do final de semana e o tal pênalti não marcado em favor do seu clube no empate com o Corinthians, motivo de debates entre nossos para lá de ocupados senadores, que, em vez de preocuparem-se com o novo recorde nacional - a superação da Itália, em se tratando de produção de pizzas -, discutem futebol. Tudo errado, mas tudo bem. Afinal, o que esperar de uma nação cuja necessidade de Verdade foi totalmente substituída por um mero “sentir”? Acontece que ele acredita que seu clube foi prejudicado, “roubado”, por causa do momento político do país, de maracutaia generalizada seguida de impunidade. E sabe qual foi seu resmungo perante os desmandos tropicais? “Se fosse com Fidel, isso tudo não estaria acontecendo”. Claro. É por essas e outras que, caso a voz do povo fosse a voz de Deus, Ele seria comunista.

Agora, vem a pergunta: o que leva alguém honesto, sem terceiras intenções (eleitoreiras ou de autopromoção), a ter como modelo de virtude um ditador sanguinário, um tumor maligno que precisa ser extirpado? A resposta é por demais óbvia: décadas de lavagem cerebral, de manipulação dos fatos e do vocabulário, corrupção dos valores. Cada vez que uma Marxilena Piuí, com sua contumaz sutileza à la trem descarrilado, barulhenta e perigosa, afirma que Lula a emociona sempre que abre a boca, ou quando um Chico Buarque avaliza el paredón, pronto, lá se foram várias consciências. Não que o mestre-de-obras seja um uspiano ou fã do maior poeta vivo (sic), mas são esses os formadores de opinião, ditadores dos parâmetros das discussões, o que pode ou não ser dito e pensado.

O Brasil é o exemplo mais bem acabado de livre mercado, em se tratando da compra e venda de consciências: praticamente todas têm seu preço ou possuem essência deformada, apenas à espera da dose de veneno necessária para danificá-las para todo o sempre.

Deixo a seguir alguns trechos de ensaio de Voegelin traçando o histórico de toda essa distorção, que atinge o mundo todo e, especificamente, chega a níveis pandêmicos em terras que, ainda que abençoadas por Deus, teimam em renegá-Lo, para propósitos de dominação de alguns.

BASES MORAIS NECESSÁRIAS À COMUNICAÇÃO NUMA DEMOCRACIA*
(Eric Voegelin)

A substância da ordem desceu, na escala ontológica, a partir de Deus, resvalando hierarquia abaixo pela razão, a inteligência pragmática, a utilidade, as forças de produção e determinantes raciais, até chegar aos impulsos biológicos.

A era da razão recebeu seu nome, não porque fosse particularmente razoável, mas porque os pensadores do século 18 acreditavam ter encontrado na Razão, com R maiúsculo, o sucedâneo da ordem divina.

A moralidade é inseparável da racionalidade. A conexão será esclarecida pela definição de consciência dada por Etienne Gilson: a consciência é o ato de julgamento pelo qual aprovamos ou reprovamos nossas ações à luz de princípios morais racionais. Para agir racionalmente, o homem tem que saber quem ele é, em que espécie de mundo ele vive, e qual é sua posição na ordem do ser. Um homem confuso quanto à essência de sua existência é um homem incapaz de ação racional; e se ele é incapaz de ação racional, é também incapaz de ação moral.

Se a “opinião” é caracterizada pelas concepções de natureza humana e de ordem social que surgiram no decurso da redução ontológica, o conhecimento da essência da existência fica seriamente perturbado. E se perturbações desse tipo determinam o clima de opinião – como de fato o fazem, em nossa sociedade “pluralista” – as opiniões comunicadas se tornam irracionais, enquanto os atos de comunicação se tornam moralmente deficientes na proporção de sua irracionalidade. A comunicação, mesmo que seja substantiva em intenção, será, não formativa, mas deformativa da personalidade, se a concepção de ordem que ela comunica muda um nível da descensão ontológica.

A ordem da alma depende do amor Dei; ela será perturbada quando o amor sui, o amor próprio, prevalecer sobre o amor a Deus. Já os movimentos de que falei (Reforma Protestante, Revolução Francesa e Comunismo) são um fenômeno de importância histórica mundial, no sentido de que eles constituem a revolta da sociedade ocidental contra Deus. Esta revolta expressou-se em três grandes atos simbólicos: (1) na remoção do Papado, enquanto representação da ordem divina, da cena pública do mundo ocidental; (2) no regicídio; e (3) no deicídio. O afastamento do papado de seu lugar na ordem pública do mundo ocidental é o resultado simbólico da primeira onda de movimentos. Em 1648, o papado desapareceu da cena diplomática da ordem européia. O anti-papismo, que se tornou patente nesta época, teve conseqüências significativas sobre a área das comunicações, na medida em que Milton desejava reservar liberdade de imprensa para a opinião protestante na Inglaterra, enquanto Locke explicitamente excluía os católicos de qualquer tolerância no reino inglês. As restrições políticas aos católicos continuaram até o século 19, na Inglaterra.

Se, por um lado, a remoção do papado da ordem pública do Ocidente mal foi reconhecida como o primeiro dos grandes atos de revolta, por outro, é bem compreendida a ligação que existiu entre o regicídio e o deicídio como atos simbólicos de revolta contra Deus. A execução de Carlos I não foi uma manifestação violenta de republicanismo contra um tirano, mas um ataque contra o “reino divino”, contra o rei enquanto representante da ordem transcendental na comunidade, e sua substituição como fonte de autoridade pela comunidade dos santos no sentido puritano. A decapitação do rei foi, então, seguida pela decapitação de Deus, no culto da Revolução Francesa, na declaração da morte de Deus na Fenomenologia de Hegel, na substituição de Deus pelo super-homem levada a termo por Marx e Nietzsche.

Se a linguagem empregada na comunicação é irracional, a moralidade da própria comunicação fica prejudicada na proporção direta de sua irracionalidade.

*VOEGELIN, Eric. Necessary moral bases for communication in a democracy. In: Problems of communication in a pluralistic society. (Papers delivered at a conference on Communication, the fourth in a series of Anniversary Celebrations, March 20, 21, 22 and 23, 1956). Milwaukee (Wis.): The Marquette University Press, 1956. pp. 53-68.

sexta-feira, novembro 18, 2005

À sombra da maldade


O deputado José Dirceu (PT-SP) afirmou nesta quinta-feira que a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é uma necessidade (necessidade dos bolsos e da imoralidade dos peStistas, não é, cara pálida?). Segundo Dirceu, só com a reeleição é que Lula poderá defender sua biografia (de incompetente, corrupto, burro, bebum, gastador, cínico, inconseqüente, mentiroso e recheada de metáforas futebolísticas?) e o próprio PT (sim, claro, do partido do Foro de São Paulo, do desarmamento, amigo das FARC, do Chávez, Kadaffi, que recebe caixas de cachaça, surpreendentemente não para o Molusco, e sim repletas de dólares direto de Cuba e, como se não bastasse, decidiu "apagar" desafetos).

Dirceu, que enfrenta processo de cassação na Câmara acusado de ser o mentor do suposto esquema do mensalão, voltou a dizer que seu julgamento é político (deve ser, é só nós pensarmos na oposição enérgica e sólida que o PSDB e o PFL têm feito...), mas ressaltou que não é ele quem, de fato, está sendo julgado. "Há quase um consenso que vai ser uma cassação política. Sou responsável pelo quê? No fundo, quem está sendo julgado não sou eu, quem está sendo julgado é o PT, o governo, a campanha de Lula."

Que cinismo, quanta maldade. Uma pena os milicos não terem enviado essa gente toda para encontrar o chifrudo antes deles infernizarem a vida de todos.

quinta-feira, novembro 17, 2005

Liberdade na internet ameaçada: divulguem!


Que não é novidade para ninguém a intenção peStista de amordaçar a imprensa, por meio do agora adormecido Conselho Federal de Jornalismo, todos sabem (pretendo remexer nesse assunto em breve). Entretanto, quando as mudanças na livre circulação de informações surgem em caráter internacional, impositivo, decididas em uma enigmática Cúpula, para atender reivindicações das saudáveis democracias chinesa, iraniana, saudita e do nosso (des)governo, é, no mínimo, de arrepiar os cabelos.
Minha amiga Norma Braga, do Flor de Obsessão, após excelente abordagem em exaustiva cobertura dos trágicos e preocupantes eventos das últimas semanas na França, toma l'avant-garde ao mobilizar o universo blogueiro em nome da não sujeição à servidão, em nome da liberdade. Abaixo, transcrevo post de ontem, 16/11, com seu apelo e os motivos para tal:

De acordo com as informações que postei aqui, a internet é gerida por um grupo privado na Califórnia, sem fins lucrativos, em cujas decisões o governo americano não dá nenhum pitaco. Quem está descontente com isso - ou seja, quem é interneteiro assumido e acha que a gerência dos EUA é impositiva ou favorece o país de alguma maneira -, levante a mão!

Ninguém? Ok, certo. Maravilha.

Pena que não é a opinião de um negócio que ninguém sabe ainda para que serve, chamado Cúpula Mundial para a Sociedade da Informação, da qual o Brasil é membro ativíssimo, que quer porque quer tirar os EUA do gerenciamento das páginas eletrônicas internacionais. Eles têm se reunido para isso. Com que finalidade, devemos nos perguntar?

Eles aprovaram na noite desta terça-feira a criação do Fórum de Governança da Internet. O governo brasileiro com tudo na brincadeira: o representante da Casa Civil da Presidência da República, André Barbosa, segundo o Globo online, "qualificou a aprovação como uma grande vitória" - para quem, cara pálida?

Quem mais está dentro? Eu já disse aqui, mas convém repetir: tão ativos como o Brasil, estão a China, o Irã, a Arábia Saudita. Quais desses três países permite o acesso livre, sem restrições, dos usuários aos conteúdos da internet? Nenhum deles. Eu gostaria, mui sinceramente, que alguém me explicasse em detalhes - a mim e à nação brasileira - o que vai acontecer se o controle mundial da internet sair das mãos de um país democrático, que até agora não tem dado problema nenhum quanto à liberdade de ir e vir no espaço virtual, para se submeter a um grupo de países antidemocráticos e que restringem tal liberdade. O senhor André Barbosa precisa nos explicar o que o Brasil está fazendo em tão excelente companhia tratando desse assunto. Bom, para não ser injusta, devo acrescentar que a Índia também está entre esses países (mas não nos esqueçamos que a internet lá ainda é só basicamente para ricos anglófonos) e a União Européia deu seu derradeiro apoio à criação do Fórum.

O Brasil parece mesmo ser um país muito empenhado na questão: ainda segundo a notícia do Globo de hoje, partiu de brasileiros a reivindicação de que a convocação do fórum se dê pelo secretário-geral da ONU. Explicações para isso não são dadas. E o representante da Anatel, José Bicalho, explica que "o Fórum terá moldes bem parecidos com o que aplicamos no comitê brasileiro de gestão da internet, como a participação livre da sociedade civil". Explica? Bom, para mim, não parece estar muito explicado, não. "Participação livre da sociedade civil" parece soar tão esquisito como Emir Sader falando de uma "gestão multilateral da internet, transparente e democrática, com a plena participação dos governos, do setor privado e de organizações civis". Ah. Sociedade civil e governo. Entendi.

Depois dizem que a tendência para o totalitarismo seguida por este governo é pura ilusão. Mentira. Ele quer estender tentáculos para todos os lados. Este post é um alerta a todos os que detestam a intervenção governamental excessiva e sobretudo prezam sua liberdade. Divulgue onde e como puder.

terça-feira, novembro 08, 2005

Definitivamente, não sou da paz


Passada mais uma invasão feita pelo MST em terras gaúchas, dessa vez vandalizando uma empresa de laticínios em Esteio e, novamente, batendo em retirada e deixando a rota de destruição para trás, sem satisfações (quem responderá por esses atos de guerrilha e pelos prejuízos?); passado o pó levantado pelo trem da alegria de nossos hermanos, que trazia Dieguito, o garoto-propaganda da coca libre - em detrimento de uma Cuba libre -, eufórico após injeção de supostos US$ 100.000 em seu bolso (quiçá mais), finalmente vou repercutir o resultado do referendo do dia 23, agora que o assunto já foi devidamente esfriado, porque a derrota governista e global (em ambos os sentidos) foi humilhante. Senão, muito provavelmente estaríamos sendo brindados com um amontoado de discursos descerebrados celebrando nossa meiguice.

Uma semana antes da votação, foi realizado chat com Mariana Montoro Jens, gerente da área de Comunicação e Mobilização Social do Instituto Sou da Paz. Já não tinha muitas dúvidas que essa gente não é em nada “da paz”. Encerraram, também, meus questionamentos sobre a existência de atividade mental saudável nela e em sua trupe: ou são por demais idiotas, a ponto de acreditar no desarmamento, sinônimo de deixar-nos feito ovelhas à espera de sermos tosquiados, ou são extremamente maquiavélicos e arquitetam tudo passo a passo, sem acidente, para aumentar nossa insegurança, para fazer-nos confiar (ainda mais, para uns) desesperadamente no Big Brother estatal e deixar-nos à mercê dos (des)mandos da petezada ou do que está por vir a partir do próximo ano, que não possui aspectos muito promissores. Eu fico com ambas as opções e justifico-me com trechos específicos da conversa entre a moça “da paz”, mas carente de escrúpulos e neurônios, e internautas (foi preservada a escrita original de cada excerto):

MARIANA 18:15:29 Marcela, essa questão do direito é a maior palhaçada que o NÃO criou para enganar as pessoas de bem. Que direito é esse se uma arma custa mais de 3.000 reais??? Ter uma arma de fato é direito de RICO no Brasil. Mais uma vez os pobres estão sendo enganados e os ricos continuaram comprando suas armas que acabam indo para lá na periferia fazendo a vida do cidadão honesto que mora lá um verdadeiro inferno! Pobre é que morre e é o pobre que mais apoio o SIM.

Logo em seguida, Mariana se embanana e afirma:

MARIANA 18:18:52 Pistoleiro, vender armas legalmente NUNCA evitou contrabando nenhum, tanto que até hoje vendemos armas legalmente no Brasil e o contrabando existe. o que vai acontecer de verdade é que as armas na criminalidade vão ficar mais escassas e por isso mais caras! o que é muito bom!!! hoje um dos problemas das armas é justamente o fato de ser MUITO barato, muito acessivel, em grande quantidade para todo mundo... Restringir o numero de novas armas no mercado vai dificultar para todo mundo!

Ué, mas armas são caras ou baratas demais? Realmente, a moça é recordista: em três minutos, ela conseguiu desdizer tudo o que havia afirmado anteriormente, com ares de sapiência e orgulho pela nobre causa defendida.

MARIANA 18:42:45 Pense bem. Use a sua lógica. As armas de fogo não são produzidas no quintal de uma chácara. 99% das armas que circulam no país e no mundo foram PRODUZIDAS e VENDIDAS LEGALMENTE para depois cair na ilegalidade.

MARIANA 18:49:18 Diana querida, vamos ver se vc entende: os bandidos nao compram armas em lojas justamente pq VC compra e ele roba da sua casa - o que é bem mais fácil do que ir até o paragai. NAO É A TOA QUE DE TODAS AS ARMAS NAS MAOS DOS BANDIDOS MENOS DE 30% SÃO CONTRABANDEADAS

Houve uma evolução, e ela não quebrou o próprio recorde: demorou longos sete minutos para armar (sem trocadilho) nova confusão. Afinal, 99% são legais ou menos de 30% são contrabandeadas? Ela é quem não faz bom uso da lógica...

Para encerrar a dose de calculismo, o apelo ao final:

Pessoal, nao confundam as bandeiras: lutar pelo desarmamento é lutar por um pais mais justo onde a segurança é para todos e nao só para a elite deste país. Nao percam essa oportunidade de fazer história! Aliás, de fazer uma NOVA história VOTE2

Segurança para todos... desarmados? E olha a onipresente palavrinha mágica “elite” ali, gente. Uma elite não seria formada, isso sim, caso o desarmamento fosse ainda mais legitimado (não esqueçamos que vencemos uma batalha, mas a guerra pela liberdade de zelar pela própria vida, a dos familiares e pelos seus pertences está quase perdida), já que a lei n 10826/03 havia estabelecido condições rígidas para o registro de armas de fogo: além de declarar a necessidade de ter uma – de calibre pequeno -, o interessado precisa comprovar que tem ocupação lícita, residência fixa, capacidade técnica e psicológica. Como se não bastasse, deve-se ter mais de 25 anos. Ou seja, é mesmo como comprar armas no supermercado, como davam a impressão as pombinhas falantes.

Por falar nelas, meu longo silêncio, motivado principalmente por problemas de saúde, pode ter sido por praga de Marieta, a ex-senhora Buarque, quando declarou “benditas sejam todas as mulheres que votarem SIM no referendo”. Praga das brabas.

domingo, novembro 06, 2005

Aviso aos navegantes


Há um novo blog indispensável no ar, o Virtue. A proposta dele é reunir os melhores links sobre diversos temas, como notícias, literatura, poesia, filosofia e outros. Aproveitem as sugestões e não deixem de colaborar com novos links por meio de comentários, sempre levando em consideração a qualidade do conteúdo de cada indicação.

noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)