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Propagandas enganosas

Ouvi no rádio a campanha das duas frentes em relação ao plebiscito do próximo domingo. Não precisaria afirmar que os argumentos do NÃO são muito mais convincentes, apresentam relações de causa e efeito - fato inusitado - e estão livres de apelações a sentimentalismo barato, como o outro lado faz, que sai nas ruas perguntando "você deixaria seu filho(a) andar na rua com alguém armado?". Se os entrevistados respondem "não" ao questionamento prontamente (até porque, caso a resposta fosse diferente, obviamente não seria exibida), nada mais é do que reflexo incondicionado amplamente condicionado, ou seja, a resposta objetiva e sem vacilar a uma questão feita para ser respondida precisamente dessa forma, o retrato do manipulado sistema de idéias reinante. O problema em si não é fazer uso de perguntas para obter determinadas respostas, prática comum em campanhas, mas sim o teor do questionamento que precisa ser feito para ouvir o que se pretende. Entretanto, o mais chocante, que retrata melhor o apelo emocional tão profundo quanto um pires no qual o SIM mantém-se, é ouvir a todo o momento slogans do tipo "contra o lucro, vote na vida". É, nada mais representativo da canhotice do Brasil brasileiro do que apelar para o truque sujo de usar o mais do que estabelecido lugar-comum de que todo o lucro é condenável: lucro, na novilíngua tupiniquim, significa exploração de tudo e de todos, algo vil, perverso, mais frio e calculista do que os bandidos, beneficiados por terem, mesmo que o NÃO vença (e, segundo as recentes pesquisas, é provável que isso aconteça), tanta gente bonita e cheia de graça a defender seu direito de roubar e matar na santa paz. O lucro está, em outras palavras, diretamente relacionado à idéia de morte, já que, como visto na campanha, a antítese dele é a vida. Não ameniza muito dizer que nem todos os que votarão SIM são pró-bandidos, vítimas de anos e anos de lavagem cerebral: as diferenças no teor das campanhas não deixam dúvida ou margem para erros de qualquer um que não sofra de anencefalia, por mais que os valores morais estejam alterados e equivocados. Afinal, mesmo sem estar tão convicto sobre o posicionamento no tal referendo, não se deve votar a favor de nada sustentado pelo (des)governo petista, ainda mais quando se trata de algo apresentado como mais uma solução aos males nacionais e quando o próprio ministro da Justiça afirma que a intenção não é desarmar criminosos de carreira, e sim o "cidadão de bem", tão suscetível a tornar-se "cidadão do mal" desde que tenha oportunidade, caso fôssemos levar a sério o que a burritzia e o Felipe Dylon pregam.

Outro exemplo de propaganda enganosa foi exibido na tv semana passada. Não perguntem qual era o produto/serviço ofertado, pois eu estava distraída, mas não o suficiente para ignorar a presença da musa petista Paloma Duarte em algum espaço que lembrava a cozinha de uma casa, falando alegremente no celular. Para começo de conversa, alguém socialista como ela não deveria sequer chegar perto de um aparelho desses, e sim se comunicar por meio de pombo-correio ou garrafas lançadas a esmo no oceano. Em segundo lugar, não sabia que esquerdistas radicais poderiam dar-se ao luxo de participar de campanhas publicitárias que visam o lucro e, heresia das heresias, para obter lucro pessoal. Claro, claro, usam a grana em ações para benefício da (boa) causa: férias em Cuba e visitas a Paris, com direito a passeios pela Champs-Élisées... Lucro mata, destrói e é responsável por corromper consciências e alienar, mas, no bolso, ninguém recusa, principalmente os defensores da igualdade e fraternidade às custas dos direitos e da liberdade alheia. É ou não é um paradoxo? É a reedição daquela cena do jovem vestindo camiseta estampada com o (cli)Che Guevara e tênis Nike, bebendo diet Coke em frente ao seu pc, usando a internet para falar da perversão capitalista.

NOTA: No último domingo, postei o caso do estudante cujo professor havia entrado na Justiça para processá-lo e exigir alta indenização, devido a um texto escrito em um blog. Pois o "docente" voltou atrás e entrou em acordo com o aluno, retirando as acusações. Tudo acabou bem, já que terminou bem. Mesmo assim, o registro está feito e continuará aqui, como forma de protesto contra toda e qualquer tentativa de intimidação dispendida por gente que desconhece o sentido da liberdade de expressão em nome da verdade.

noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)