quinta-feira, outubro 20, 2005

Propagandas enganosas

Ouvi no rádio a campanha das duas frentes em relação ao plebiscito do próximo domingo. Não precisaria afirmar que os argumentos do NÃO são muito mais convincentes, apresentam relações de causa e efeito - fato inusitado - e estão livres de apelações a sentimentalismo barato, como o outro lado faz, que sai nas ruas perguntando "você deixaria seu filho(a) andar na rua com alguém armado?". Se os entrevistados respondem "não" ao questionamento prontamente (até porque, caso a resposta fosse diferente, obviamente não seria exibida), nada mais é do que reflexo incondicionado amplamente condicionado, ou seja, a resposta objetiva e sem vacilar a uma questão feita para ser respondida precisamente dessa forma, o retrato do manipulado sistema de idéias reinante. O problema em si não é fazer uso de perguntas para obter determinadas respostas, prática comum em campanhas, mas sim o teor do questionamento que precisa ser feito para ouvir o que se pretende. Entretanto, o mais chocante, que retrata melhor o apelo emocional tão profundo quanto um pires no qual o SIM mantém-se, é ouvir a todo o momento slogans do tipo "contra o lucro, vote na vida". É, nada mais representativo da canhotice do Brasil brasileiro do que apelar para o truque sujo de usar o mais do que estabelecido lugar-comum de que todo o lucro é condenável: lucro, na novilíngua tupiniquim, significa exploração de tudo e de todos, algo vil, perverso, mais frio e calculista do que os bandidos, beneficiados por terem, mesmo que o NÃO vença (e, segundo as recentes pesquisas, é provável que isso aconteça), tanta gente bonita e cheia de graça a defender seu direito de roubar e matar na santa paz. O lucro está, em outras palavras, diretamente relacionado à idéia de morte, já que, como visto na campanha, a antítese dele é a vida. Não ameniza muito dizer que nem todos os que votarão SIM são pró-bandidos, vítimas de anos e anos de lavagem cerebral: as diferenças no teor das campanhas não deixam dúvida ou margem para erros de qualquer um que não sofra de anencefalia, por mais que os valores morais estejam alterados e equivocados. Afinal, mesmo sem estar tão convicto sobre o posicionamento no tal referendo, não se deve votar a favor de nada sustentado pelo (des)governo petista, ainda mais quando se trata de algo apresentado como mais uma solução aos males nacionais e quando o próprio ministro da Justiça afirma que a intenção não é desarmar criminosos de carreira, e sim o "cidadão de bem", tão suscetível a tornar-se "cidadão do mal" desde que tenha oportunidade, caso fôssemos levar a sério o que a burritzia e o Felipe Dylon pregam.

Outro exemplo de propaganda enganosa foi exibido na tv semana passada. Não perguntem qual era o produto/serviço ofertado, pois eu estava distraída, mas não o suficiente para ignorar a presença da musa petista Paloma Duarte em algum espaço que lembrava a cozinha de uma casa, falando alegremente no celular. Para começo de conversa, alguém socialista como ela não deveria sequer chegar perto de um aparelho desses, e sim se comunicar por meio de pombo-correio ou garrafas lançadas a esmo no oceano. Em segundo lugar, não sabia que esquerdistas radicais poderiam dar-se ao luxo de participar de campanhas publicitárias que visam o lucro e, heresia das heresias, para obter lucro pessoal. Claro, claro, usam a grana em ações para benefício da (boa) causa: férias em Cuba e visitas a Paris, com direito a passeios pela Champs-Élisées... Lucro mata, destrói e é responsável por corromper consciências e alienar, mas, no bolso, ninguém recusa, principalmente os defensores da igualdade e fraternidade às custas dos direitos e da liberdade alheia. É ou não é um paradoxo? É a reedição daquela cena do jovem vestindo camiseta estampada com o (cli)Che Guevara e tênis Nike, bebendo diet Coke em frente ao seu pc, usando a internet para falar da perversão capitalista.

NOTA: No último domingo, postei o caso do estudante cujo professor havia entrado na Justiça para processá-lo e exigir alta indenização, devido a um texto escrito em um blog. Pois o "docente" voltou atrás e entrou em acordo com o aluno, retirando as acusações. Tudo acabou bem, já que terminou bem. Mesmo assim, o registro está feito e continuará aqui, como forma de protesto contra toda e qualquer tentativa de intimidação dispendida por gente que desconhece o sentido da liberdade de expressão em nome da verdade.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Para refletir

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Rui Barbosa. Obras Completas, v. 41, t. 3, 1914, p. 86. Senado Federal, RJ)

"Viver no Brasil é agonizar, é subsistir em um estado de transição que precede a morte, tal é a aflição e o desespero que nos atinge quando lemos os jornais e assistimos a TV, observando o festival de falácias e imbecilidades da esquerda e da "inteligentzia" brasileira, e principalmente quando lidamos com o povo mau caráter do Brasil." (única postagem do extinto blog
Agonizando. O autor não suportou, ao que tudo indica, tão justificada agonia)

domingo, outubro 16, 2005

Atentado à liberdade de expressão

Imagine que você está chateado com as aulas de um professor seu. Um dia, nas andanças pela internet, encontra um blog onde alunos de todos os níveis e lugares são convidados a registrar experiências ruins com seus mestres.

Então, farto do estilo das aulas do seu professor, você resolve expor nesse blog – de um modo educado – tudo o que pensa. O professor encontra o blog, lê o que você escreveu e, pouco tempo depois, você recebe a visita de um Oficial de Justiça: intimação ao Tribunal. E você descobre que o seu professor entrou com um Processo e está pedindo uma indenização monstro por Danos Morais - R$ 10,400,00.

Foi o que aconteceu a um aluno da Faculdade de Filosofia da PUCRS, Marco Aurélio Antunes, do Plural.

Não havia nada, absolutamente nada de insultuoso no texto, que ferisse moralmente o excelentíssimo professor. Pelo contrário, era uma crítica inteligente (e pertinente) aos recursos didáticos utilizados. Mas o professor queria, por uma simples crítica, obter na Justiça uma indenização de mais de dez mil reais! Isso não é justo e fere o direito mais elementar de quem escreve em um blog, que é o direito à expressão. Agora, imagine se isso "pega" e cada professor (ou político, ou qualquer outra pessoa pública) resolver começar a processar blogs e blogueiros...

Se você também achou injusto e possui um blog, copie e cole este post na sua página.

NÃO VAMOS PERMITIR QUE NOSSA LIBERDADE DE EXPRESSÃO SEJA AMEAÇADA!

quinta-feira, outubro 13, 2005

Mudei de idéia

Antes, eu tinha certeza de que iria votar NÃO, e ninguém conseguiria convencer-me do contrário. Mas, com o passar do tempo, entrei nas comunidades do SIM e do NÃO no Orkut, ouvi propagandas no rádio e na TV, e os argumentos do SIM convenceram-me: vou votar SIM. E sabe por quê? Vou listar 20 motivos:

  1. Descobri que é a arma legal que alimenta os bandidos. Todas aquelas AR-15, AK-47, granadas e bazucas que os traficantes do Rio usam, foram roubadas de cidadãos honestos que compraram as armas legalmente. Da minha casa mesmo, por exemplo, roubaram quatro mísseis stinger ano passado;
  2. Todos os pais que têm armas de fogo costumam deixá-las carregadas e engatilhadas em cima do sofá da sala. Por isso, 94 milhões de crianças brasileiras morrem, brincando com armas de fogo, todos os anos;
  3. Quem mora em fazendas, isolado de todos, no meio do mato, não precisa de armas. No meio da natureza, rola uma vibe muito forte, as energias positivas das árvores e das flores protegem a todos;
  4. Os 250 milhões de reais investidos para realizar o referendo foram muito bem empregados. Afinal, por que investir em segurança, quando se pode gastar em um referendo? E dizendo SIM, eles, nossos governantes, vão ver o quanto adoramos ter o privilégio de exercer nosso direito de decidir os rumos do nosso país;
  5. Se o NÃO ganhar, as armas de fogo vão, imediatamente, ficar 90% mais baratas, e vai acabar a burocracia para a compra de uma. No dia seguinte à vitória do NÃO, qualquer pessoa (bandido ou cidadão de bem) vai poder ir a uma loja de armas, comprar um 44 e oito caixas de munição, sair armado e direto para o bar mais próximo para arrumar briga e matar;
  6. Percebi que delegados e policiais civis militares e federais - que são, em quase totalidade, favoráveis ao NÃO - não entendem absolutamente nada de violência e criminalidade. Quem manja mesmo do assunto são atores, sociólogos e dirigentes de ONGs internacionais;
  7. Todos os assaltantes de residência têm superpoderes. Eles atravessam portas e paredes e se materializam imediatamente na sua frente, apontando uma arma para a sua cabeça, enquanto você ainda está deitado, tornando impossível qualquer reação. Eles não perdem tempo e não fazem barulho arrombando portas;
  8. Caso eu veja ou ouça algum bandido pulando a cerca e entrando no meu quintal, eu não vou conseguir afugentá-lo com um tiro para cima ou para o chão. Se ele ouvir o tiro, aí sim, é que ele vai ficar excitado e vai querer, de toda forma, entrar em casa e trocar tiros comigo. Afinal, eles adoram fazer isso;
  9. Estrangeiros que lideram ONGs como a Viva-Rio têm muita experiência no assunto, já que todos sabem que a situação social, econômica e de criminalidade da França, Inglaterra e Estados Unidos é igualzinha à realidade do Brasil. Não tenho a menor dúvida de que todas as teorias deles vão funcionar direitinho aqui;
  10. O governo quer que votemos SIM, e ele sempre pensa no nosso bem. Afinal, todos sabemos que a qualidade da saúde pública, ensino público, segurança pública e etc. vem melhorando cada vez mais;
  11. Eu me convenci de que os cidadãos de bem, assim que acabarem suas munições, vão manter suas armas eternamente sem munição, até se deteriorarem, ninguém vai buscar bala no mercado negro (até porque a violência vai diminuir um bocado), e, assim, não corre o risco do mercado negro fortalecer-se;
  12. Caso o SIM vença, não vão mais acontecer mortes banais. Maridos ciumentos só vão agredir as mulheres com travesseiros, torcidas organizadas vão se dar as mãos, facas e canivetes vão perder o fio, tijolos e paus vão ficar macios, e os pitboys vão todos se converter ao budismo;
  13. Essa história dos crimes por armas de fogo ter aumentado 500% na Inglaterra nos seis anos após o desarmamento por lá foi algo super normal, pois a população está se expandindo, não? É mais do que natural que haja um aumento;
  14. Descobri que o jovem é a principal vítima da arma de fogo. Claro que isso não tem nada a ver com o fato de o jovem ser o maior usuário de drogas, nem o fato de que quase 100% dos envolvidos no tráfico de drogas têm menos de 30 anos (porque morrem ou são presos antes). Isso é pura coincidência;
  15. No Texas - onde há quase uma arma por habitante -, reduziu para quase a metade o índice de crimes violentos nos últimos dez anos. Mas isso é porque, na última década, eles pararam de comer carne vermelha e começaram a ouvir mais Bob Marley;
  16. Percebi que todos que têm arma de fogo são suicidas em potencial, pois a única causa do suicídio é a arma de fogo, e não a falta de perspectivas, de um ideal, de um sonho a buscar, dificuldades espirituais, de consciência ou, então, distúrbios psíquicos, como a depressão;
  17. Se algum bandido invadir minha casa, basta-me ligar para o 190. A polícia sempre tem homens e viaturas sobrando e levará menos de 3 minutos para atender-me;
  18. Caso isso não aconteça, basta-me fazer o sinal do "Sou da paz" com as mãos, o invasor vai saber que eu sou gente fina e, então, ele vai embora em paz, sem levar nada e sem violência alguma. Eles sempre agem assim quando descobrem que você é da paz, e não um daqueles psicopatas malvados que é a favor do NÃO;
  19. Se o ladrão for muito, mas muito malvadão, eu só preciso gritar por socorro. Em cinco segundos, vão aparecer a Fernanda Montenegro, a Maitê Proença e o Felipe Dylon para salvar-me e prender o bandido, sem usar armas.
  20. Se o SIM ganhar, o Brasil vai ser um país mais feliz, que nem na novela.
Texto de autoria desconhecida recebido por e-mail. Tudo o que eu queria dizer sobre a palhaçada desarmamentista promovida por miquinhos adestrados, sob o comando de um (des)governo que não poupa munição e iniciativa ao exterminar desafetos. Nada tenho a acrescentar e, portanto, assino logo abaixo.

noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)