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Em revista

Estava eu à espera do início de uma entrevista de estágio. Tranqüila, pego uma das revistas empilhadas à minha frente. O nome era Versatille, publicação com matérias sobre moda, decoração, entrevistas com celebridades, coluna social recheada com muitas fotos... Enfim, quase uma Caras local. Começo a folheá-la para passar o tempo. Logo, deparo-me com um texto, cuja autoria é de Tatata Pimentel, famoso comunicador gaúcho e professor de Letras da PUC-RS. O sugestivo título era "Woodstock no Vaticano". Despertada a curiosidade, começo a ler e deparo-me com um festival de besteiras, com, literalmente, alguém rasteiro golpeando baixo, obviamente fazendo jus às idéias nada originais que integram a mentalidade dos auto-intitulados cidadãos críticos, principalmente quando se trata de torpedear essa malévola instituição responsável por boa parcela de atrasos sociais, descontado o fato de ser propagadora da ignorância, a Igreja.

O tema abordado era o funeral do papa João Paulo II e a escolha de seu sucessor, que, para o colunista, tornou-se, devido à intensa cobertura da mídia e à vigília e expectativa de fiéis do planeta inteiro, surpreendendo e escandalizando-o por causa da enorme quantidade de jovens, uma espécie de evento pop, equivalente a um Woodstock, desguardadas as devidas proporções.

Como se não bastasse analisar um acontecimento de suma importância desprezando a religião e, por conseqüência, toda a herança cultural ocidental, na qual ele está inserido, por mais que renegue essa tradição, e, ironia das ironias, até se beneficia (não esqueçamos que ele tira boa parte de seu sustento graças a essa instituição retrógrada, dando aulas na Pontifícia Universidade Católica), ao comparar o episódio àquele festival de rock onde drogas rolavam, três mortes aconteceram e hippies e intelectualóides reivindicavam "um mundo mais justo", cheio de peace and love somente mediante a aplicação de ideologias criminosas, forjando a mentalidade de gerações às custas de vidas alheias. Plenamente justificável, claro, tudo por um mundo melhor.

Das mais destacáveis pérolas no artigo, temos "a Igreja odeia o corpo, os desejos, a sexualidade, a inteligência e todos os livros, menos um" e "as mulheres são, para a Igreja, seres imperfeitos". Hum, ela realmente odeia o corpo ou, ao contrário, sacraliza-o? Ela abomina a sexualidade ou a defende de aberrações e quer que seja exercida de modo responsável, com cumplicidade e respeito? Ih, odeia a inteligência? Como, se é isso o que nos define como indivíduos únicos, que nos distingüe de meros animais suscetíveis apenas aos mandos e desmandos dos instintos, se é essa a mensagem da Igreja referente à salvação pessoal e à compreensão da unidade corpo-alma-espírito?

Todos os livros, menos um... Outro tiro no escuro, ou melhor, na escuridão da ignorância ou desfaçatez: quer dizer que a Igreja, durante a Idade Média, não foi a responsável pela conservação de escritos da Antigüidade, do período Antes de Cristo? A propósito, alguém sabe de algum pronunciamento dela condenando algum livro de um Platão, Aristóteles ou Dostoievski? Ela condena, isso sim, O código Da Vinci, uma ficção, criação livre voltada ao enriquecimento financeiro de seus envolvidos, obra que mistura pessoas reais, descobertas gnósticas para lá de duvidosas, para não dizer totalmente inverídicas (ver Quebrando o código Da Vinci, Darrell L. Bock), e alguns fatos históricos, diretamente voltada à depreciação da religião ao questionar seus preceitos, quando há provas e mais provas de tratar-se de puro cinismo ainda citá-los como fatos passíveis de discussão, ainda que se defina como diversão descompromissada (quando se vê avaliada e devidamente condenada, é claro).

Para finalizar, temos o desprezo católico às mulheres, esses seres imperfeitos. É, deve ser por isso que Maria, "apenas" a mãe de Jesus, nosso Salvador, foi pouco importante na vida do Filho e, no decorrer dos tempos, figura nada louvada, quanto mais santificada, não é mesmo? Também, Maria Magdalena (mais uma vez, não perca Quebrando o código Da Vinci, no qual o autor dissipa qualquer dúvida a respeito do relacionamento entre Jesus e ela) não deve ter tido importância nenhuma na trajetória do Messias, salvo ter circulado entre seus seguidores mais próximos e ter sido uma das figuras escolhidas por ele para ser uma das primeiras e principais testemunhas da Ressureição. Ao que me consta, quem nutre um certo desprezo - ainda que enrustido - ao feminino é o sr. Tatata, que, figurinha carimbada em boates, já foi visto bradando em pistas de dança sua incompreensão da “opção” de homens em relacionar-se com... mulheres! Segundo ele, é tudo a mesmíssima coisa. Bom, não preciso comentar do assumido homossexualismo da figura.

Tatata finaliza dizendo que, após toda aquela overdose de sentimentalismo vindo dos jovens - apontados por ele como iludidos, inocentes úteis temporariamente desmemoriados dos disparates e do conservadorismo barato e demodé católicos - e de espetáculo gratuito, ele voltará às leituras de seus antídotos de sabedoria contra tamanha demonstração de irracionalidade e manipulação coletiva: "Marx, Freud e Lutero". É, diga-me o que lês que eu te direi quem és. Esclarecimentos adicionais são plenamente dispensáveis.

Minha vez de finalizar: para Northrop Frye, toda a grande obra literária possui algum elemento já abordado na Bíblia. Eu devo concordar com o professor de literatura de Cambridge ou seu nada equivalente exemplar tupiniquim? Dúvidas, dúvidas...

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noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)