segunda-feira, agosto 15, 2005

O cartão de visitas

Primeiro dia de aula na UFRGS segunda-feira. A disciplina era "Administração financeira de curto prazo". E o cartão de visitas de mais um semestre já foi dado: o professor, ao falar sobre capitalistas, os empresários, segundo ele, cujo interesse é o de investir certa quantia para a obtenção de mais dinheiro, ou seja, lucro ao final do processo, despertou a ira de um coleguinha meu, famoso por sempre abrilhantar as aulas com colocações nada condizentes com a mentalidade que deveria ter quem está em um curso voltado ao mercado, às empresas e ao empreendedorismo, mas precisamente o que se espera de um jovem esquerdista, mergulhado até o pescoço em política estudantil em DCEs da vida, como é o caso dele.

A observação desferida, que, para minha surpresa, fez alguns dos muitos presentes torcerem o nariz, pois - ficou claro naquele momento - ele já adquirira a fama de chato, foi que muitas empresas e seus dirigentes não visam o aumento do lucro, que "cada caso é um caso", e por aí vai. Disse naquele tom canhoto tradicional de indignação e sem abrir mão da arrogância, é claro. Mas, o pior ainda estava por vir: o professor, literalmente, "perdeu o rebolado" com a intervenção e não soube o que dizer: repetiu palavra por palavra o que já falara e apenas acrescentou que estava demonstrando a sua visão ideológica particular aos presentes. Visão de que, cara-pálida, se você é incapaz de sustentar seus argumentos perante um jovem seguidor de Marx e toda a sorte de relativistas?

Em resumo, no primeiro dia, tive o panorama completo do que verei nos próximos quatro meses: a combinação bombástica de professores despreparados enchendo a boca na divulgação de seus doutorados, em conjunto com geniais estudantes de administração que pensam que empresas não devem gerar lucro.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Alguém viu?

Todos estão surdos, diria Roberto Carlos. Eu vou mais longe: surdos e anestesiados. Tarso Genro, o novo todo poderoso do ainda Partido Todo poderoso, que conseguiria, caso as eleições presidenciais fossem hoje, levar seu candidato ao segundo turno, no mínimo, declarou que um processo de impeachment do presidente Molusco implicaria em uma "colombização" do Brejil. Se isso não é uma ameça, orquestrada e complementada com declarações como a do segundo vice-presidente do PT, Valter Pomar, da Articulação de Esquerda (ok, ok, a cúpula do PT virou neoliberal, eu já sei, mas alguns românticos idealistas sobrevivem), que, indignado com o depoimento de ontem de Duda Mendonça, desferiu "Se tiver pedido de impeachment, vamos enfrentar com luta", eu não sei mais o que dizer.

E essas declarações passam batidas, são absorvidas sem que ninguém pergunte - sequer a si mesmo - o que Tarso, o socialista caviar-mor, o cavalheiro na vitória e troglodita na derrota (digo isso por conhecer a figura razoavelmente bem: como se não bastasse sermos do mesmo estado e, portanto, tê-lo sempre escutado caprichar na gramática sem dizer muitas coisas aproveitáveis, salvo ameaças, palpites e acusações infundadas, como quando, após a divulgação dos primeiros resultados da apuração do segundo turno da disputa entre Pont e Fogaça pela prefeitura ano passado, ele disse que os números iniciais, favoráveis ao candidato do partido adversário, mas em nada opositor, não retratavam a opinião da maioria, por só terem sido abertas as urnas com votos da "elite". Nossa, deve ser a mesma elite que agora quer derrubar o Lulinha... E quando esteve no meu colégio para um debate para o governo do RS em 2000, Tarso esteve entre o céu e o inferno: amplamente aplaudido e vaiado pelos presentes, sem meio termo nas adesões, na saída, ao passar por mim, fez uma cara de nojo e virou a cabeça, uma cena de comédia, condizente com a aura de democracia incondicional com a qual ele pauta todo e qualquer discurso. O motivo para tamanho desprezo e orgulho ferido? Ele me viu aplaudir todas as declarações contrárias à ditadura petista desferidas por Alceu Collares, político incapaz de articular argumentos elaborados, mas uma verdadeira metralhadora verbal humana. E pensar que eu era de esquerda naquela época...).

Tarso é um grande conhecedor de vinhos. Caros, obviamente, como todos que têm entre seus ídolos Vlad Lenin. Eu também gosto de bons vinhos. Tintos e secos, principalmente. Será que ele me pagaria uma garrafa caso eu pedisse, como todo bom coletivista prega, quando se trata do dinheiro dos outros?

Para terminar: quando se ouve falar que a auto-intitulada oposição rejeita a abertura do processo de derrubada de um presidente nascido morto para o exercício do cargo, percebe-se que não temos solução, nunca tivemos e, muito provavelmente, jamais teremos.

Salve-se quem puder, e que Deus nos proteja.

noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)