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Campus do Vale e os arrependimentos de uma vida

Desde março deste ano, a sede do meu estágio saiu de um ponto central da cidade e foi para o famoso campus do Vale da UFRGS, na divisa de Porto Alegre com o município de Viamão. Eu levo quase uma hora para chegar e quase outra hora para sair de lá. No caminho de ida, vejo ovelhas, galinhas, bodes, porcos... Cenário ideal para algum George Orwell tupiniquim decidir plagiar o mestre, não é mesmo? Ah, se quase todos não fossem vítimas da síndrome de cogumelos... É como se eu estivesse desprendendo-me da vida urbana, da selva de pedra, para chegar até um outro mundo. É por essas e outras que afirmam que eu não trabalho, e sim me escondo.

Ao chegar ao campus, há uma placa que sempre capta minha atenção: "Dirija com atenção. Cuidado com a fauna". Será que trabalho em meio a cobras e lagartos? É provável, mas jamais será devidamente comprovado por mim, uma vez que me embrenhar por aqueles matagais não faz parte de meus planos, e não sou paga para isso.

Só que toda essa dificuldade de logística tem um lado positivo: faço desses longos deslocamentos a oportunidade ideal do meu dia para pensar sobre a vida, sobre novos posts para cá e sobre o nada, é claro. E sabe por quê? Porque é tão afastado de todos e de tudo, que, para alguém como eu, que viveu - até agora - toda a existência na mesma cidade, afastar-me de tudo afasta-me, simultaneamente, de lembranças.

Cheguei ao ponto dessa cidade estar pequena demais para mim, de cada esquina, cada cruzamento, cada ponto principal percorrido pela minha rotina recordar-me de algo. E essas recordações, por conseqüência, trazem consigo alguns poucos, mas duros arrependimentos. Estes, são agrupados em duas categorias: os das coisas que fiz e os das que deixei de fazer. Os mais angustiantes são, sem sombra de dúvida, os pertencentes ao segundo grupo. Afinal, como sou uma pessoa de perfil analítico, cauteloso, segundo alguns, arrependimentos sobre coisas feitas são raros e, quando existem, geralmente são benéficos, pois possibilitam tirar lições e não repetir o erro. Assim, fortalecem-me. Já os arrependimentos sobre as coisas não feitas... Estes afligem, pois estão em aberto, mesmo que, em sua maioria, insolúveis, não possibilitam aprendizado e deixam aquele espaço para a dúvida "e se?".

Até que o campus do Vale não é de todo um mau lugar.

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Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)