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Pequeñito, pero cumplidor

Passei a noite de domingo e estava até pouco tempo lendo todos os artigos que encontrei em um site. Literatura, religião, atualidades, enfim, o cardápio foi variado. Não sei o porquê de ter-me sentido atraída por essa empreitada que, inicialmente, parecia que iria apenas agravar minha angústia em ver a montanha de livros* ao meu lado sem serem abertos, mas, acabou por valer a pena, por ter constatado que minha alma ainda não é pequena.

Mudando de assunto, vou ver se escapo da aula mais cedo hoje para comprar "A divina comédia", do genial-e-dispensa-apresentações Dante Alighieri, na recém lançada edição com tradução e notas de Vasco Graça Moura. Saborear novamente cada detalhe de uma das minhas obras favoritas e um marco na cultura mundial será uma grande satisfação.

Mas, afinal, esse post com aparente falta de assunto seria o indício da proximidade de uma maré de falta de inspiração? Não, pois me despeço com a promessa de voltar muito em breve e com mais freqüência daqui por diante. Deixo-os com essa frase, absorvida na calada da noite: "Amar não deve ser entendido de outra forma senão como uma forma de concentrar a alma em algo".

*Livros a serem lidos (lista provisória, porque tende a aumentar):

Pitágoras e o tema dos números - Mário Ferreira dos Santos (thanks, Luís. Depois, mergulhar em A sabedoria das leis eternas);
O jardim das aflições - Olavo de Carvalho (até então, a obra-prima do Olavo e uma obra-prima, assim definida por ele mesmo);
A mulher que amou demais - Nelson Rodrigues (thanks, Aurélia e Lisi. Após, Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo);
Novos ensaios sobre o entendimento humano - Leibniz (o título e o autor já explicam);
Entre os cupins e os homens - Og Francisco Leme (uma pitada de liberalismo sempre faz bem);
Esquerdismo, doença infantil do comunismo - Lenin (uma dose do "ópio dos intelectualóides");
O lobo da estepe - Hermann Hesse (conhecer o autor);
The long goodbye - Raymond Chandler (idem acima);
Ensaio sobre poesia - Ezra Pound (o nazista autor do verso "Uno-me à minha espécie acima das escarpas");
A poesia - Benedetto Croce (idem Hesse e Chandler);
O indivíduo e o Estado - Herbert Spencer (o título é auto-explicativo);
História da filosofia - Julián Marías (visão geral para posteriores vôos mais altos);
A sociedade do espetáculo - Guy Debord (dívida antiga);
Admirável mundo novo - Aldous Huxley (idem acima).

É sintomática a quantidade de obras de administração...


Obs: estou inspirada, sim. Afinal, foi comprovada, nesse final de semana, a existência de uma pessoa capaz de suportar-me (nos dois sentidos da palavra) durante dez horas e meia ininterruptas. É ou não é um bom motivo?

noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)