segunda-feira, maio 30, 2005

O paradoxo universitário

Segunda-feira passada, matei aulas da faculdade pela enésima vez esse semestre. O motivo: ver Anakin Skywalker entregar-se ao lado negro da Força. Na quarta-feira, repeti a dose para acompanhar a queda de Adolf Hitler. Até aí, nada de mais. Afinal, estava mantendo meu vício cinematográfico em dia. O problema é que eu mataria aula até para assistir a uma rinha de galo, com ou sem a companhia do Duda Mendonça. Pobre dos bichinhos, alguns dirão. Pobre de mim, afirmo eu.

Anos de estudo e de expectativas de entrar em uma universidade para, finalmente, deixar para trás todas as falhas da educação recebida no colégio para quê? Para perceber que cheguei à metade de um curso de graduação em uma universidade prestigiada e dar-me conta que absolutamente tudo o que realmente aprendi nesses cinco semestres foi fora do meio acadêmico? Para ficar passiva diante de um retroprojetor exibindo Powerpoints em série e ter a nítida impressão de sentir meu Q.I. reduzir em 10 pontos com conceitos que, de tão banais, seriam básicos, caso nossa estrutura educacional fosse normal, e não apresentados - e absorvidos pelos presentes em geral - como novidades na aula da última terça?

Talvez o que sirva um pouco de consolo é o fato de eu não estar sozinha com esses sentimentos. Um exemplo disso foi durante uma conversa com um estudante do qual não lembro o nome, mas tenho guardada sua história: formado em Direito pela federal de Santa Maria, quando estava, na época (não sei se ele ainda resiste), vivendo em Porto Alegre para fazer sua pós-graduação em Relações Internacionais na nossa estimada UFRGS, ele me confidenciou sua angústia com todo o meio. Sim, desde professores despreparados e/ou mal-intencionados a colegas alienados e/ou, o que é ainda pior, bajuladores de quaisquer verdades citadas pelos valorosos mestres, os problemas mudam de endereço, mas são os mesmos, visto que ele imaginara, em suas próprias palavras, encontrar aqui a "saída da caverna platônica" que ele procurara na antiga universidade e, obviamente, não havia encontrado. Aqui, até então, só aprimorara sua decepção.

Ainda não decidi o que mais incomoda, avaliando por experiência própria e por meio de testemunhos como o do pós-graduando citado: professores incompetentes e/ou doutrinadores, a obrigação de estudar conteúdos tão interessantes e relevantes para minha formação pessoal e meu futuro profissional quanto uma maratona de caracóis, os colegas acatando tudo sem pensar (até por jamais terem conhecido nada de diferente em suas vidas), ou o status que o meio universitário desfruta sem méritos.

Assim como "diga-me o que pensas sobre Olavo de Carvalho que eu te direi quem és", eis que surge uma nova máxima: "diga-me o que pensas sobre tua vida universitária e eu te direi quem és".

Mesmo com toda essa decepção e minha recente descoberta de que o número de presenças nas aulas e as notas nas provas são inversamente proporcionais, tomei uma resolução: a partir de hoje, passado o feriado da última semana e a série de "assassinatos", voltarei a comparecer às aulas. Sim, como não tenho encontrado nenhum colega em momento de estudo, a não ser em festas e nos bares do campus, ando preocupada com eventuais provas marcadas e prováveis não-comparecimentos meus. Como quero e preciso entrar em férias o mais rápido possível, devo visitar a sala de aula de vez em quando para ficar a par dos conteúdos (e da falta de) para poder usar o bom e tradicional autodidatismo.

Será que resistirei muito tempo à nova rotina auto-imposta? Façam suas apostas.

segunda-feira, maio 23, 2005

O porquê disso tudo




Não dá para permanecer calada. Não é mais possível. Por mais que eu viesse tentando guardar minhas idéias e, é claro, meus retrocessos e falhas, nada como a escrita para transformar momentos fugazes em memoráveis. É por isso que estou aqui, dando início a isso, que prefiro chamar provisoriamente de “projeto”. Afinal, posso começar agora e nunca mais voltar a atualizá-lo.

Há tempos, sou leitora de bons blogs e nunca tive coragem - por auto-preservação, diga-se de passagem – de começar um próprio. Como se não bastasse, considero-me muito desinteressante vista de perto. No entanto, percebo que é hora de expor o que penso, até por uma necessidade de comunicar sentimentos e impressões que estão abrindo passagem, e para revelar-me a mim mesma definitivamente.

Talvez por eu ter, nos últimos tempos, circulado entre pessoas que estão fazendo algo, assumindo suas responsabilidades, por ter desenvolvido verdadeiras amizades com essas pílulas de racionalidade em meio a tempos onde tudo está tão errado que parece certo, que eu esteja iniciando esse blog, destinado a registrar futilidades também. Afinal, ninguém é de ferro!

E esse título, “Noite interminável”, qual é o verdadeiro significado? Pergunto e eu mesma respondo: é esse o propósito, ter várias facetas, bem como essa que vos escreve. Vejamos: noite interminável no sentido de escuridão, período ruim (qualquer semelhança com a situação de nosso país e, numa esfera mais ampla, o mundo em si, não terá sido mera coincidência); ainda, não somente em termos universais, como também em se tratando dos indivíduos, que embarcam em noites intermináveis, em situações angustiantes, de onde é difícil sair muitas vezes; por outro lado, a noite é tradicionalmente o período do dia em que me dedico a perceber, entender, avaliar. Assim, como não sou totalmente pessimista, uma noite interminável pode ser quando algo positivo acontece. Sim, uma noite pode ser incrível em termos de aprendizado, evolução e insight, interminável portanto, já que ela começou e jamais terá fim, porque o novo conhecimento não será esquecido, servindo, isso sim, como um patamar.

Por se tratar do primeiro, este post serve como cartão de visita do que (não) esperar desse espaço.

noite_interminavel
Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. (Aristóteles)


Na medida em que você se desliga do espírito daquela era, está ligado ao espírito de todas as eras. Isto quer dizer que, de fato, na constituição do próprio indivíduo, já está dada toda a dialética entre o mundo do sensível ou da temporalidade e o mundo da eternidade. (Olavo de Carvalho)


Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo. (Hermann Hesse)


Quanto menos um sujeito entende a religião, mais se prontifica a modificá-la, isto é, a reduzi-la às dimensões da sua própria falta de consciência. Uma concepção evolutiva da religião mostra apenas incapacidade de conceber alguma coisa acima da esfera temporal. O "senso da eternidade" é apenas o primeiro grau da consciência religiosa. (Olavo de Carvalho)


Quando os homens já não acreditam em Deus, não é que não acreditem em mais nada: acreditam em tudo. (G. K. Chesterton)


Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada. (Edmund Burke)


Experiência não é o que acontece com o homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. (Aldous Huxley)


Pode-se enganar todo mundo durante algum tempo, e certas pessoas durante todo o tempo, mas não se pode enganar todo o mundo todo o tempo. (Abraham Lincoln)


Faça aparecer o que sem você não seria talvez jamais visto. (Robert Bresson)


Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola. (Albert Einstein)


Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando as estrelas. (Oscar Wilde)


Qualquer pessoa que não seja inteiramente imbecil ou imbecilizada pelo jogo literário de entes de razão sabe que existe, no mundo inteiro, uma guerra revolucionária com o objetivo de massificar o homem e de apagar nas almas os últimos lampejos das saudades de Deus. Os marxistas desempenham papel de desta­que, e os judeus marxistas ou filocomunistas trazem para esta causa todo o furor que lhes vem da antiga grandeza. (Gustavo Corção)